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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Saiba quando o álcool pode ser ruim para você.

Texto meu inicialmente publicado no Indike.

O álcool está sempre na moda. Às vezes como vilão, outras como mocinho. Isso até nos confunde. Mas o fato é que, na dúvida, ele está sempre em nossas mesas.

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Seu consumo é permitido e até mesmo incentivado pela sociedade. Por esse motivo, mesmo quem não bebe convive com ele através de um familiar ou conhecido.

Cada um tem uma relação velada com ele. Para alguns ele é um destruidor de lares. Para outros, apenas um facilitador de relações sociais. Às vezes, uma fuga, outras, prazer. Pode ser um carinhoso ombro amigo nos dias difíceis. Ou paixão destruidora. Secretamente ninguém sabe exatamente como nos relacionamos com ele. Mas sempre demonstramos que nossa relação é inocente e com a melhor das intenções.

Mas você consegue saber ao certo qual a relação que você e o álcool estabeleceram? Será que bebo muito ou é só implicância dos demais? Quanto de álcool tenho que beber para que seja realmente prejudicial? Vamos tentar trazer essas informações para a vida prática da pessoa comum: nós.

O álcool é uma droga que age no sistema nervoso e produz alterações de comportamento, humor e cognição. Por isso, devemos estar atentos à dose que nosso corpo consegue metabolizar sem trazer efeitos ruins. Essa dose varia conforme características pessoais (sexo, peso etc), portanto, não é fixa.

No geral para os homens esse limite é de 2 taças de vinho (90 mL cada) ou 1 lata de cerveja ou 1 dose de 50mL de destilados. Por dia! Para as mulheres o limite é menor.

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Quem bebe mais do que isso tem funções neurológicas alteradas que trazem problemas à saúde e à sociedade, pois perde o domínio sobre seu comportamento, mesmo achando que não. Isso predispõe malefícios a curto prazo como acidentes de trânsito, baixo desempenho sexual e intelectual, atos de vandalismo. É chamado uso nocivo do álcool. Se continuado pode levar a tolerância e dependência.

A tolerância está instalada quando é preciso uma dose maior de álcool para causar um mesmo efeito (quando ele demora mais pra ficar bêbado, digamos assim). Já a dependência acontece quando a pessoa começa a sentir falta da bebida, quando está sem tomá-la há alguns dias.

A OMS diz que, para se avaliar o real impacto do álcool, não basta medir o quanto as pessoas bebem, mas sim saber qual seu padrão de consumo. Isso implica considerar o quanto se bebe por ocasião, se bebe-se mais em eventos festivos ou no dia-a-dia, em quantos eventos com bebidas o cidadão fica bêbado, se o álcool só acompanha refeições ou se bebe-se mais em espaços públicos.

O padrão de consumo de álcool no Brasil mostra que os jovens são pouco abstinentes e costumam beber ocasionalmente, tornando-se bebedores semanais em poucos anos. Como os jovens são estimulados a beber semanalmente para socialização em festas e com descontrole de quantidade, eles sofrem os efeitos do uso nocivo, sendo mais sujeitos a brigas, acidentes, constrangimentos e ressaca.

Com o aumento da idade, a quantidade de bebedores ocasionais diminui, e aumenta o número de abstêmios e dos bebedores muito frequentes. Ou seja, uma parcela para de beber, possivelmente por ter mais segurança para as relações interpessoais e até para evitar os chatos efeitos do uso nocivo. Mas outra parcela passa a beber todos os dias. Essas são aquelas pessoas que cultivaram o hábito de beber todos os dias (ou quase), primeiro em eventos, depois por prazer, que dificilmente se limitam a tomar 2 cálices de vinho ou 1 latinha de cerveja ao dia e que, por isso, vão silenciosamente desenvolvendo tolerância e dependência.

É comum esse bebedor negar sua condição de risco e encontrar desculpas para justificar cada dose. Alguns até pensam ser essa forma de consumo "mais saudável" pois normalmente bebe-se em casa e os porres não são frequentes como nos adolescentes. É certo que são padrões diferentes de consumo, com riscos a curto prazo também diferentes, mas o prejuízo é certo - e nada saudável.

Para derrubar esse mito, explico: o álcool é metabolizado pelo fígado, que tem capacidade limitada (lembre da dose que mencionei no início). A substância intermediária formada durante esse processo é o acetaldeído, que é muito mais tóxica para o fígado e para o organismo do que o próprio álcool. Assim, quando o uso do álcool é diário e acima da quantidade que o fígado consegue eliminar, o acetaldeído se acumula lesando fígado e outros órgãos. Quem bebe todos os dias não dá tempo para o fígado se regenerar, mesmo que não fique bêbado.

Esse bebedor frequente costuma passar despercebido, pois dificilmente fica bêbado. Mas ele merece atenção não só pelos problemas de saúde que ele certamente irá desenvolver (podendo ser hipertensão, cirrose, câncer, problemas cardiovasculares, neuropatias, entre outros) e onerar nosso sistema de saúde, mas também pelos infortúnios que pode trazer à quem convive.

Como reconhecer um bebedor muito frequente e diferenciá-lo de um bebedor ocasional?

Um bebedor ocasional sabe limitar as situações em que bebe. Bebe num jantar, mas passa vários outros sem precisar da bebida. Sabe se divertir em situações de abstinência.

O bebedor muito frequente já começa a restringir seu prazer ao beber. Essa pessoa vai tornando-se menos interessante aos que convivem com ela. Começa a pensar em beber nas mais variadas ocasiões. Não consegue imaginar um momento de divertimento sem que o álcool esteja presente.

O álcool prejudica a memória, o raciocínio, o sono e o humor. Diminui a libido, prejudicando a vida sexual. A pessoa vai se transformando em outra e, apesar dos sinais dos familiares, não se dá conta.

Veja que há diversos padrões de bebedores, cada um com suas implicações. Em qual você se encaixa? Para qual caminho você está indo? Saiba que todos vão apresentar problemas de saúde e problemas sociais se não restringirem seu consumo à um padrão fisiologicamente e socialmente adequado.

Repense seu padrão de consumo se já se viu em uma dessas situações:
  • já perdeu o controle de si mesmo por conta do álcool 
  • já sentiu que deveria diminuir a bebida 
  • as pessoas já o irritaram quando criticaram sua bebida 
  • já se sentiu mal ou culpado por conta da bebida 
  • já bebeu pela manhã para “aquecer” ou para se livrar de uma ressaca
Assista o vídeo aqui.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Como prevenir-se das hepatites virais


Texto publicado inicialmente no Blog do Indike, onde mantenho uma coluna mensal.

Hepatite significa inflamação no fígado. Toda inflamação acontece quando nosso corpo luta contra um agressor ou trauma, seja um corte, um espinho, uma substância tóxica ou um microorganismo.

Isso significa que, quando temos uma parte do nosso corpo inflamada, ela não funcionará direito pois estará ocupada tentando defender-se.  De forma bem simplista: imagine o canto da sua unha inflamado; ele pode inchar e doer tanto (são as células tentando resolver o problema) que pode impedir que o dedo realize suas funções.

O fígado executa inúmeras funções dentro de nós, por isso  ele é tão importante. Dentre outras coisas, ele processa um monte de substâncias que precisamos para viver, armazena as mais importantes, produz a bile que ajuda a digerir as gorduras e processa células velhas do sangue.

Imagine quantas consequências uma inflamaçâo desse órgão pode gerar?

Hepatite, portanto, é doença grave!

Grave e pode ter muitas causas. Por exemplo: abuso de bebidas alcoólicas ou de alguns medicamentos ou contaminação pelo vírus da hepatite.

As hepatites virais, além de serem mais conhecidas pela população, são consideradas um problema de saúde pública. Por serem causadas por vírus, são contagiosas! Mas calma, não se pega hepatite como se pega gripe. Cada tipo de vírus funciona de um jeito.

Existem vários tipos de vírus que podem causar hepatite. As mais comuns são A, B e C. Vamos à elas.
A hepatite A é mais comum em crianças e normalmente não é tão grave, pois o fígado consegue reagir bem a esse vírus e eliminá-lo rapidamente do organismo. Quando isso acontece significa cura, tudo volta ao normal.

Dizemos que nesses casos só existe a fase aguda da doença, que pode apresentar sintomas ou não. Os sintomas, quando aparecem podem se assemelhar a uma gripe. Pode dar enjôo, tontura, febre, vômitos. A pele e os olhos podem ficar amarelados e as fezes mais esbranquiçadas.

Uma pessoa pode se contaminar com esse vírus ao ingerir água ou alimentos contaminados com o vírus que outra pessoa contaminada eliminou nas fezes e foi parar em algum riacho. Por isso, para se prevenir contra hepatite A é importante lavar as mãos sempre antes de comer, lavar os alimentos que são comidos crus e somente beber água tratada filtrada ou fervida (lavar também, senão não resolve).

 Já as hepatites B e C são bem mais graves. Isso porque nem sempre o fígado consegue eliminar esses vírus. Quando isso acontece, depois da fase aguda da doença (assim como na hepatite A, pode não apresentar sintomas, ou muito pouco dos mesmos), o vírus pode ficar ali, quietinho, e provocar uma inflamação crônica, que pode durar anos e a pessoa pode levar muito tempo para descobrir que está doente. Nesse período ela poderá contaminar outras.





O vírus B e C ficam no sangue e é através do contato com sangue contaminado que pode-se pegar essas doenças.

Por conta disso, é recomendado que pessoas que transaram sem camisinha, que receberam transfusão de sangue antes de 1993 ou que compartilhou agulhas/seringas realizem solicitem ao médico o teste das hepatites.

Para se prevenir, fique atento:


·         Não transe sem camisinha (essa forma de contágio é muito comum para o vírus B, menos comum para o vírus C).
·         Não compartilhe agulhas, seringas ou equipamentos para drogas inaladas ou pipadas;
·         Não compartilhe lâminas de barbear ou de depilar.
·         Ao ir à manicure, leve seu próprio material (inclui alicate, afastadores de cutículas, lixa, palitos, toalhas). Se não tiver, providencie logo. Exija materiais esterilizados (aquele forninho tipo de esquentar pão não serve, tem que ser autoclave ou estufa!) ou descartáveis. Exija que as bacias de água sejam forradas com plásticos. 
·         Ao colocar um piercing, mesma coisa: exija materiais descartáveis e esterilizados.
·         Ao fazer uma tatuagem, além de todos esses cuidados, verifique também: a tinta a ser usada em cada pessoa deve ser separada e também descartada, ou seja, o tatuador não pode despejar o restinho que sobrou de novo no pote da tinta, entendeu? O vírus pode sobreviver na tinta e contaminar outros.






A hepatite B ainda pode ser transmitida de mãe para filho, no nascimento. O exame durante o pré-natal é muito importante.

Se a inflamação persite e torna-se crônica, pode evoluir para cirrose e até para câncer de fígado. Então, aquela história de que o fígado se regenera e que não precisa se preocupar com hepatite é pra boi dormir.

Além disso, é mais fácil se contaminar com um vírus de hepatite do que com o HIV. As formas de prevenção são as mesmas, por que não prevenir-se das 2?

Existe vacina para hepatite B. Veja se você pode vacinar-se: http://www.aids.gov.br/pagina/vacina-hepatites

O tratamento existe e pode curar, mas não é um tratamento fácil. Nesse caso, vale o jargão: Prevenir é o melhor remédio.
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