quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Como funciona nosso corpo: a circulação

Todas as nossas células precisam receber os nutrientes que digerimos e o oxigênio que respiramos para poderem trabalhar e nos manter vivos. Além disso, precisam ter suas excretas recolhidas para que não morramos intoxicados pelo nosso próprio lixo.

Para que isso ocorra, essas diversas substâncias - junto com muitas outras, como hormônios - precisam circular pelo organismo, se locomovendo de um lugar para outro. Para isso serve o nosso sistema circulatório, composto pelos vasos sanguíneos e pelo coração.

Já o encarregado de carrear essas substâncias por nossas estradas internas é o sangue.


Quando eu era pequena eu imaginava que fossemos como uma bexiga cheia de sangue. E eu não entendia como nosso corpo podia ser cortado em cirurgias sem que nosso sangue escapasse por completo. Para alguns pode parecer absurdo, mas ainda há quem imagine dessa forma.

O que acontece é que temos um sistema circulatório chamado "fechado". Isto é, nosso sangue corre somente dentro dos vasos e se tiver sangue fora deles alguma coisa está bem errada. Por isso os médicos cirurgiões são muito bem treinados com relação à anatomia para que não perfurem vasos importantes durante um procedimento cirúrgico.

Foto da internet mostrando o momento de uma cirurgia: veja como não somos um saco de sangue; nosso sangue corre perfeitamente dentro de vasos.


Mas alguém aí pode falar: "Mas quando sofremos qualquer cortinho besta já sangramos...". É verdade. Vou explicar: se todas as células do nosso corpo precisam receber o sangue, ele precisa chegar até as áreas mais remotas, nossas extremidades. Para isso, nossos vasos vão se ramificando, como se fossem galhos de árvores, e vão ficando mais finos quanto mais perto das suas células-alvo. Dessa forma, o sangue chega em todos os cantos, levando e trazendo tudo o que uma célula precisa. O sangramento que acontece nos nossos cortinhos e arranhões, provém da ruptura desses pequenos vasinhos superficiais, mas é em pequeno volume, podendo coagular e estancar rapidamente.

Quando eu falo "vaso sanguíneo", a maioria deve pensar nas veias, como eles popularmente são chamados. Mas nem todos os vasos sanguíneos são veias. Existem também as artérias e os capilares.



Para explicar isso, vamos entender um pouco de anatomia. E vamos começar pelo mestre, o coração.


Ele fica alojado em um espaço entre nossos 2 pulmões, também protegido pela caixa torácica. O coração é dividido em 4 câmaras (2 átrios, em cima, e 2 ventrículos, embaixo). O sangue sempre entra no coração através de uma grande veia que se liga aos átrios e sai por uma artéria que se liga aos ventrículos. Pra visualizar melhor:
  • do lado esquerdo do coração, as veias pulmonares trazem o sangue cheio de oxigênio vindo dos pulmões. Esse sangue entra no átrio esquerdo, passa para o ventrículo esquerdo e segue pela artéria aorta (essa é famosa, heim!) para ser distribuído para as células do nosso corpo;
  • do lado direito do coração, as veias cavas trazem o sangue pobre em oxigênio e rico em gás carbônico, vindo das nossas células que já respiraram. Esse sangue entra no átrio direito, passa para o ventrículo direito e segue pela artéria pulmonar para os pulmões;

    Esquema simplificado do coração humano mostrando suas 4 câmaras e os principais vasos

    Clique aqui e assista a um vídeo curto que ilustra o ciclo cardíaco.
    
  • nos pulmões esse sangue terá seu gás carbônico removido, será novamente enriquecido com oxigênio através da respiração e voltará ao coração novamente pelas veias pulmonares.... É um ciclo fechado. E observamos que esse ciclo tem um circuito curto (circulação pulmonar), entre o coração e o pulmão e um circuito grande (circulação sistêmica), entre o coração e o restante do corpo.

Esquema que ilustra a circulação pulmonar e a circulação sistêmica
Entre essas câmaras do coração e entre os ventrículos e grandes vasos que se ligam à ele existem válvulas (chamamos de valvas) que mantém o sangue fluindo em uma única direção.

Imagine: o sangue entra no ventrículo esquerdo através do átrio esquerdo: se não existisse uma válvula nessa transição, durante a contração do ventrículo (sístole) o sangue poderia refluir para os pulmões ao invés de seguir rumo ao corpo, causando uma congestão pulmonar.

Doenças nessas válvulas do coração (temos 4 valvas) são chamadas valvopatias e podem ser graves.

O barulhinho de TUM-TÁ que o coração faz nada mais é do que o som do fechamento dessas valvas. O médico tem os ouvidos treinados para detectar alterações nesse som, que podem indicar uma série de doenças.

Esquema que mostra o ciclo do coração: sístole é a contração do músculo; diástole é o relaxamento.
Rede elétrica do coração

O coração bate num ritmo médio de 70 vezes por minuto, podendo variar entre 60 a 100 vezes, dependendo da pessoa, estilo de vida, etc.

Os músculos do coração são equipados com uma eficiente rede elétrica que transmite os sinais para os batimentos corretos.

Quando nos exercitamos, nossos músculos precisam de mais oxigênio do que o normal e isso faz com que nosso coração receba instruções para bater mais rápido, levando mais sangue e, consequentemente, mais oxigênio.



Sabendo um pouco da anatomia do coração, entendemos que as veias são os vasos sanguíneos que entram no coração, vindo ou dos pulmões ou das nossas extremidades e órgãos. Já as artérias são os vasos que saem do coração e seguem em direção aos pulmões ou às nossas extremidades e órgãos.


Sendo assim, é errado dizermos que as artérias só carregam sangue rico em oxigênio e as veias, sangue pobre nesse gás. Isso só é válido quando pensamos no circuito grande (circulação sistêmica, entre o coração e o restante do corpo). No circuito pulmonar ocorre o inverso.


E outra coisa: na nossa anatomia real as veias não são azuis e as artérias não são vermelhas!! Os desenhos são padronizados dessa forma somente para facilitar a diferenciação.
Na realidade não somos coloridos: veja a veia ao lado da artéria. O sangue venospo, porém, é um pouco mais azulado por conter menos quantidade de oxigênio. Só isso.

Já os vasos capilares são os vasos bem ramificados e finos, que se encontram nos nossos órgãos - inclusive pulmões - e nas nossas extremidades. É nos capilares que as substâncias podem entrar e sair do sangue, lá ocorrem as trocas.


Como o sangue não "corre" por si só, o coração faz o papel de bomba, que impulsiona o sangue pelos vasos. Como uma bomba de água mesmo. Por ele ser um órgão muscular, ele se contrai para empurrar o sangue de dentro dele através das artérias, rumo ao seu destino. Sua força deve ser suficiente para movimentar todo esse circuito - até o sangue chegar de volta pelas veias. Haja força! E quanto mais força o coração tem que fazer para o sangue chegar nos capilares mais distantes, mais musculoso o coração fica. Mas músculos demais em um órgão que não é tão grande pode ser prejudicial e causar doenças.


Como as artérias são os vasos que recebem o sangue bombeado diretamente do coração, elas devem poder suportar uma pressão maior. Por isso elas têm uma parede mais muscular e mais elástica. Quanto mais as artérias vão se distanciando do coração, mais finas vão ficando suas paredes, até se transformarem nos capilares.

  


Válvulas das veias

Os capilares, por sua vez, se transformam em veias e o sangue começa a voltar ao coração. Aí o sangue já não tem mais tanta força e pressão, por estar longe do coração. Assim, as paredes das veias podem ser mais finas que as das artérias.



No entanto, pelo fato de o sangue não ter mais tanta pressão nas veias, ele precisa de uma ajudinha para fazer esse caminho de volta. Por isso as nossas veias também contém válvulas em seu percurso, para evitar que o sangue reflua, fazendo-o sempre seguir em frente.



Quando há algum problema nessas válvulas o sangue não consegue voltar para o coração e se acumula nas veias, deformando-as. Assim começam as varizes.



Para ajudar o sangue a circular bem pelas veias, temos que exercitar nossos músculos, pois, quando eles se contraem, eles funcionam também como uma bomba, pressionando os vasos e fazendo o sangue seguir.



Isso é muito importante nas pernas, pois lá o sangue tem um longo caminho para subir, ainda vencendo a resistência da gravidade! Por isso é importante movimentarmos a "batata da perna", ou panturrilha, quando permanecemos muito tempo parados, em pé ou sentados.



Tudo o que foi explicado aqui está muito bem ilustrado com imagens reais do corpo humano nessa sequência de 3 vídeos sugeridos.

Basta clicar em cada um deles:


Vídeo sugerido III




Se tiver dúvidas ou sugestões, deixe um comentário abaixo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Como funciona nosso corpo: a respiração


Bem, já entendemos que para pararmos em pé precisamos alimentar nossas células através do processo de digestão. No entanto, para que as nossas células possam transformar aquelas pequenas partículas de alimentos em energia para o trabalho do dia-a-dia elas precisam do oxigênio.

A forma que nosso corpo consegue captar o oxigênio do ar e entregá-lo às células é através da respiração. Sim! É para isso que respiramos sem parar! São quase 25 mil respirações por dia.

Sem energia nossas células não funcionam e, consequentemente nada no nosso corpo funciona: não pensamos, não andamos, não sentimos, nada. Acho que assim fica claro para todos a importância de respirarmos um ar de qualidade e de ingerirmos alimentos de qualidade.

Se você for se informar sobre a respiração em textos técnicos médicos possivelmente vai se cansar por conta da quantidade de gráficos, cálculos de pressão, volume, etc. Por isso vou me esforçar para explicar aqui o que é relevante para o entendimento e de forma bem simplificada.
Tudo acontece no sistema respiratório.



Esquema mostrando as estruturas do sistema respiratório
Ele começa no nariz, passa ela garganta (faringe), depois laringe, inclui a traquéia, os brônquios e suas ramificações até chegar nos pulmões (sim, temos dois, um direito e um esquerdo). E para que esse sistema funcione como um bom aspirador de ar temos a caixa torácica e o músculo diafragma.

A caixa torácica é composta pelos ossinhos das costelas e pelos músculos entre eles. Os ossinhos formam uma verdadeira grade que protege essa parte tão importante do corpo, que contém os pulmões, o coração e vasos sanguíneos vitais. Os músculos entre os ossinhos trabalham (se contraindo e se distendendo) para movimentar essa "grade" quando enchemos o peito de ar ou o esvaziamos.

O diafragma é um músculo que fica logo abaixo dos pulmões, separando a caixa torácica da barriga. Ele é fundamental para a respiração pois é devido seu movimento que sugamos o ar do ambiente. Funciona assim:
  • se o diafragma se contrai, ele se move para baixo, em direção à barriga; os pulmões o acompanham, ficando maiores em volume (consequentemente com uma pressão menos) e "sugando" o ar do ambiente. Quando o ar entra chamamos de inspiração.
  • Se o diafragma se relaxa, ele volta para cima, contrai os pulmões e expulsa o ar novamente para fora. Essa é a expiração.

Esquema que mostra como puxamos e expelimos o ar conforme o movimento do músculo diafragma
Quando o ar é sugado para dentro, é normal que ele entre pelas narinas (os buraquinhos do nariz). O nariz foi cuidadosamente projetado para receber esse ar direto do ambiente. Ele possui estruturas internas cheias de vasos sanguíneos que passam parte do calor do nosso corpo ao ar que entra para que ele não resfrie tanto nossos pulmões. Além disso, o nariz e a parte inicial do tubo respiratório possui muco e cílios que filtram as impurezas para que essas não entrem em nós:
  • o muco é uma secreção gosmenta, que contém substâncias de defesa contra microorganismos invasores, onde a pequena sujeira do ar se gruda  (agora você já sabe de quê as caquinhas, ou "catotas" são feitas!) para ser expelida ou engolida.
  • os cílios seguram partículas grandes, como uma teia de aranha, uma rede. Eles também fazem um movimento de "varrer", varrendo o muco para a região da garganta onde pode ser finalmente expelido junto com toda a sujeira.
Algumas pessoas que têm importantes desvios de septo ou adenóides grandes têm dificuldades de respirar pelo nariz e acabam respirando pela boca. Com isso elas perdem esse primeiro filtro de ar e acabam por inspirar ar com mais impurezas.
Respiração bucal
Os fumantes também acabam por perder essa primeira defesa, pois o fumante acaba por perder esses cílios, inspirando ar com ainda mais impurezas e formando o pigarro, pois o muco não é varrido para a garganta para ser expelido naturalmente.

Então, o nariz aquece, umedece e limpa o ar inspirado. A partir daí esse ar é levado através da garganta (chamamos de faringe) para a laringe. Na laringe existe uma válvula, chamada de epiglote, que separa - a partir de agora - o tubo destinado à digestão (lembra do esôfago?) do tubo destinado à respiração. A epiglote direciona o ar para o tubo respiratório, onde ficam as cordas (chamadas corretamente de pregas) vocais e seguindo para a traquéia. Quando engasgamos, algo que era para ir para o tubo digestivo entra pelo o tubo errado, obstruindo a respiração.

A traquéia é um tubo de músculo (também com cílios) revestido por anéis de cartilagem (para que possa permanecer em formato de tubo) que se divide em 2 brônquios, direcionando o ar para o pulmão direito e esquerdo. Ela se inicia ainda na região do pescoço e logo se protege no interior da fortaleza torácica.

Os brônquios, por sua vez, vão perdendo os anéis de cartilagem, se ramificam em tubos cada vez menores e suas paredes vão se tornando ainda mais finas. Assim como galhos de uma árvore, as ramificações dos brônquios (bronquíolos) acabam por cobrir toda a extensão dos pulmões terminando em estruturas muito finas chamadas de alvéolos.

Os alvéolos são os pequenos "saquinhos" de ar que compõem o pulmão. Suas paredes são finas e sempre em contato com algum vaso sanguíneo. Isso faz com que o oxigênio que inspiramos possa "atravessar" essa parede e seguir através do sangue (nossas rodovias) para todas as células que precisam dele. O processo de transporte através do sangue será melhor explicado na postagem sobre a circulação.


Quando nossa célula usa o oxigênio para transformar o alimento em energia, esse processo gera como resíduo o gás carbônico e água. Esses resíduos são devolvidos ao sangue e voltam pelas estradas aos mesmos alvéolos, atravessam suas paredes e são finalmente misturados ao ar do ambiente com a expiração. Por isso que quando respiramos próximo ao espelho ele embaça rapidamente: eliminamos água!
Respiração celular: consome nutrientes e oxigênio e elimina gás carbônico e água
Veja tudo isso com imagens incríveis nos vídeos sugeridos:

O sistema respiratório I
O sistema respiratório II
O sistema respiratório III








quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O que devemos saber sobre primeiros socorros?

Esse texto é meu e foi publicado no Blog do Indike. Lá, você também pode encontrar informações de diversas áreas, ecritas pelos profissionais e também direcionadas para o público leigo.
 A maioria das pessoas não tem treinamento de socorrista, mas qualquer um pode, a qualquer momento, se deparar com uma situação inusitada em que precisará prestar socorro à alguém necessitado. E aí, o que fazer?
 
Mantenha a calma. Você não é obrigado a fazer nada que você não se sinta capaz. No entanto, deve saber o que não fazer, para não prejudicar a vítima ou você mesmo. Pare e pense! Não faça nada por impulso. Veja se no local há algum médico, enfermeiro, bombeiro ou policial para que possam ajudar nesse tipo de situação. Se não houver, tome a frente.
Avalie a cena. Essas informações serão muito importantes para passar ao serviço de socorro, principalmente em casos de acidentes de trânsito. Veja o número de vítimas, se estão conscientes, se há pessoas presas em ferragens, se há risco de incêndio e por aí vai.
Garanta a segurança: sua, da vítima e dos demais. Antes de tomar qualquer atitude, proteja-se e proteja o local! Nunca se exponha a riscos: se for um acidente de trânsito, peça a ajuda aos demais para sinalizar e proteger o local, mantendo a vítima e o socorro em segurança. Nunca toque em sangue ou secreções sem proteção.
 Mantendo-se calmo, com tudo analisado e em segurança, chame por ajuda. Peça para alguém chamar o serviço de emergência através do 192 e passe as informações do ocorrido de forma objetiva, sem pânico e não se esquecendo de passar o endereço correto de onde vocês estão (acredite, isso muitas vezes é esquecido...)!
Enquanto espera o socorro profissional, você pode ajudar com o mínimo necessário em favor da vítima. Basicamente, para que a vida seja mantida até a chegada do serviço de emergência, você deve ter em mente que a vítima deve respirar e não perder grandes quantidades de sangue.
Faça contato com ela para saber se ela está consciente ou não. Se estiver consciente, acalme-a e diga que a ajuda já está a caminho. Se ela estiver falando, ótimo, pois significa que ela respira e que o coração está funcionando! Se ela estiver inconsciente, procure observar se ela está respirando e sentir se o coração está batendo. Não se afobe, identificar uma parada cardíaca ou respiratória exige um mínimo de treinamento. Se tiver dúvida, ou se perceber que a respiração ou os batimentos do coração não estão normais, o melhor a fazer é ligar novamente para o 192 e pedir orientações sobre como agir até que o socorro chegue. Nesses casos, uma massagem cardíaca mal aplicada poderá ser prejudicial.
Se for uma situação de acidente de trânsito, atropelamento ou queda, não movimente a vítima e a oriente. Também não tente remover capacetes. Mantenha a cabeça imobilizada, segurando-a pelas orelhas e impedindo que o paciente a vire. Isso porque sempre devemos considerar que uma vítima de trauma pode ter alguma lesão nas vértebras do pescoço, que, se movimentada, pode provocar paralisia irreversível. Nesses casos, a vítima só deve ser movimentada por profissional treinado ou em casos extremos, se houver perigo imediato, tal como incêndio, risco do veículo cair, ou seja, algum risco real e incontrolável.
Outra tarefa simples e que pode ajudar muito na manutenção da vida é controlar algum sangramento importante. Para isso, você deve primeiro proteger-se com luvas ou sacos plásticos limpos para não se contaminar. A técnica mais simples e eficaz é comprimir o local do sangramento com um pano limpo. Veja: não estamos falando de ficar limpando o ferimento, mas sim de apenas comprimí-lo com uma pressão suficiente para que o sangramento diminua. Obviamente estamos falando de lesões que podem ser cuidadas sem a movimentação da vítima.
Lembre-se: nunca faça torniquetes! Também nunca dê nada para a vítima comer ou beber. Se ela tiver sede, apenas molhe sua boca com um pouco de água. Para finalizar, sempre procure proteger a vítima do frio, do sol e da chuva.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Como funciona nosso corpo: a digestão


Saco vazio não para em pé. Todo mundo já ouviu isso um dia. E como somos um saco de células (ãhn?), precisamos dar à elas o que comer. Os alimentos que ingerimos dão às nossas células os nutrientes necessários para que elas tenham energia para trabalhar. Só assim poderemos parar em pé.

Basicamente, tudo o que comemos é composto de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. E cada pedaço de comida tem que ser dividido em pequenos pedaços para poderem ser absorvidos pelo organismo. É por isso que levamos horas para fazer a digestão.



O nosso sistema digestivo - que hoje é chamado de sistema digestório - nada mais é do que um grande tubo que atravessa nosso corpo, começando na boca e terminando no ânus. Esse tubo é obviamente também formado por inúmeras células especializadas. Para cada local do tubo digestivo há uma especialidade diferente de célula, responsável pelas diferentes funções necessárias para a digestão, como processamento dos alimentos, transporte, absorção de nutrientes, até a excreção do que não presta.



Além desse tubo, para uma boa digestão é necessário que os alimentos sejam processados por substâncias químicas para que sejam melhor absorvidos. Essas substâncias são produzidas em órgãos do nosso corpo que podem ser chamados de glândulas anexas do sistema digestório. São eles: glândulas salivares, fígado e pâncreas.

Mas... Como funciona tudo isso??


Tudo começa antes mesmo de o garfo chegar na boca.

Por que vocês acham que dizemos que um prato de comida bem elaborado abre o apetite? Por que vocês acham que dizemos que aquele cheirinho bom de comida nos dá água na boca? Porque é verdade!

Quando vemos - ou só imaginamos - um prato de comida bonito e colorido ou quando sentimos o cheiro da comida à nossa frente nossas glândulas salivares começam a funcionar e preparar nossa boca para receber o alimento.

Acho que deu pra perceber que as glândulas salivares produzem a famosa saliva, que é jogada diretamente na nossa boca. A saliva é importante porque ela contém uma substância (a amilase) que ajuda a processar os alimentos formados de carboidratos (os amidos e os açúcares). Mais da metade dos carboidratos que ingerimos já são quebrados pela amilase. Então, quando mandamos aquela garfada pra dentro e mastigamos, o alimento vai sendo triturado e misturado com a saliva, que já começa a digerir os carboidratos além de umedecer aquele "bolo" para podermos engolir. Veja a importância da sua mastigação sem pressa!





Quando engolimos, o bolo alimentar é transportado até o estômago através do esôfago. O esôfago é como se fosse um corredor que liga dois cômodos: a boca e o estômago. Mas, além de dar passagem ao alimento, ele também dá uma mãozinha para a comida se locomover e não entalar. A parede do esôfago é formada por músculos que vão se movendo de forma rítmica e empurrando a comida para o estômago. São os movimentos peristálticos, ou peristaltismo. Normalmente nós não sentimos esses movimentos.

Esquema mostrando os movimentos peristálticos no esôfago

No estômago, como em um liquidificador, o alimento será movimentado e misturado com ácido e outras substâncias químicas para que continue sendo digerido. Uma dessas substâncias é chamada pepsina e serve para digerir as proteínas.

O meio ácido é importante pois algumas substâncias que auxiliam na digestão só funcionam em meio à acidez. A parede do estômago é preparada para suportar essa quantidade fisiológica (normal) de ácido sem ser machucada. Mas a parede do esôfago, não. Por isso, entre o esôfago e o estômago existe uma válvula que garante que o alimento que caiu no estômago não suba de volta para o esôfago, trazendo o ácido junto. Quando há algum defeito nessa válvula ocorre o refluxo gastro-esofágico.

Esquema mostrando a válvula entre o esôfago e o estômago

Uma outra válvula, no final do estômago, regula quando esse alimento já está pronto para seguir em frente. Ao sair desse grande liquidificador que é o estômago, a nossa comida já se transformou em um líquido espesso (chamado agora de quimo) e grande parte dos carboidratos e proteínas já estão quebrados em moléculas menores, prontas para serem absorvidas pelas nossas células.

A absorção desses pequenos nutrientes, assim como o processamento das gorduras, acontecerá nessa próxima etapa: no intestino delgado.



Na primeira parte do intestino delgado, no duodeno, o quimo recebe substâncias vindas do fígado e do pâncreas para ajudar no processamento.

O fígado produz a também famosa bile, que divide a gordura em pequenas gotas, para facilitar o seu processamento. A bile é armazenada na vesícula biliar . Vejam: a vesícula é apenas um depósito para a bile extra! Sendo assim, quem teve a vesícula biliar removida continua a produzir a bile (no fígado, como todos nós!!), só que deve evitar comer muita gordura pois não terá mais o reservatório extra de bile. Entendido?

O pâncreas produz substâncias que ajudam a digerir as proteínas, gorduras e carboidratos. Ele também faz uma substância que neutraliza o ácido do estômago, para que o quimo possa seguir em frente sem machucar a parede do intestino.

A parede do intestino delgado contém inúmeras células cuja especialidade é absorver esses pequenos nutrientes processados. Essas células encaminham os nutrientes absorvidos para os vasos sanguíneos, que são as estradas do nosso corpo e transportam os nutrientes para todas as células, até as mais distantes. Parte desses nutrientes absorvidos são levado diretamente ao fígado para serem transformados em outras substâncias importantes para o corpo ou então estocados.

Esquema mostrando a parede do intestino delgado, com suas microscópicas dobrinhas, revestidas por células especializadas em absorção, que encminham os nutrientes aos vasos sanguíneos


Do intestino delgado, tudo o que não foi absorvido, mais a água (lembrem, nós também tomamos água!), viajam para o intestino grosso. Nessa transição de intestinos também existe mais uma válvula que impede que o quimo faça o caminho de volta. Nessa fase, o trabalho de absorver os nutrientes está quase terminado. Algumas bactérias amigas que moram na parede desse intestino ajudam a finalizar esse serviço.

A principal função do intestino grosso é absorver a água, nos hidratando. Feito isso, tudo o que tinha de bom em nosso prato de comida já foi processado e absorvido. Concluímos então que, a esse ponto, o que sobrou de tudo que ingerimos não terá utilidade para o nosso organismo e poderá ser eliminado. Está formado o cocô.

Essas excretas (o cocô) são então armazenadas no reto, que fica no final do intestino grosso, e podem ser eliminadas pelo ânus, a outra ponta do tubo digestivo.



Vários fatores podem atrapalhar a nossa digestão, desencadeando doenças nas diversas partes desse sistema. Falaremos dos problemas mais frequentes mais para frente (se tiver dúvida, envie perguntas através dos comentários).

Mas, de um modo geral, se conseguirmos manter uma alimentação balanceada (com carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais), sem excessos, e ingerirmos bastante água, estaremos ajudando nosso processo digestivo e, consequentemente, adquirindo energia para nos mantermos em pé!

Regra básica para uma boa digestão: evite os excessos!


Vídeos sugeridos para visualizar tudo o que foi explicado aqui:

Sistema digestório I
Sistema digestório II
Sistema digestório III


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Como funciona uma consulta médica?

Não é incomum a expectativa cheia de esperança que o paciente carrega antes da consulta médica se transformar em frustração após a mesma.
Isso ocorre porque alguma coisa não foi bem na relação médico-paciente. Pode ser uma questão de empatia, apenas. Mas normalmente isso acontece porque a comunicação, seja do paciente, do médico, ou de ambos, não foi boa: o paciente não conseguiu expor todas as suas queixas, o médico não pôde esclarecer todas as dúvidas, enfim, algo faltou e o tempo acabou.
É papel do médico saber conduzir a consulta com as perguntas que vão nortear seu raciocínio rumo ao diagnóstico aplicando a linguagem adequada para o entendimento do paciente.  Infelizmente, sabemos que isso nem sempre acontece, uma vez que não depende de uma técnica ensinada nas faculdades de medicina, mas sim de boa vontade e empenho de cada profissional.
Por isso acho legal o paciente entender como funciona - ou como deve funcionar - uma consulta médica. Se o paciente sabe basicamente como funciona o raciocínio médico, saberá quais são as informações importantes que deve saber transmitir durante a consulta e evitará gastar aquele precioso tempo divagando sobre questões irrelevantes do ponto de vista médico.
Veja, não penso que essa informação publicada aqui deve suprir a obrigação do médico em se esforçar para a boa relação médico-paciente, mas creio que vem em benefício do próprio paciente, que poderá estruturar melhor o que ele leva ao seu médico, em prol de uma boa consulta.

Em primeiro lugar, leve à consulta somente o necessário (isso inclui acompanhantes!). Leve exames antigos somente se estiverem relacionados à sua queixa. Outros exames, se forem importantes, o médico solicitará para que você leve no retorno, não se preocupe.
Toda boa consulta deve iniciar com uma boa conversa.
Essa conversa, chamada anamnese, nada mais é do que uma entrevista feita pelo médico e composta de algumas etapas. Para cada etapa, o médico deve esclarecer dúvidas para poder chegar às hipóteses diagnósticas.


Anamnese - Quais são as informações que seu médico precisa saber quando você vai à uma consulta:
v  Sobre você:
Ø  Como algumas doenças estão relacionadas à determinadas faixas etárias, ao tipo de trabalho, à vida sexual e ao estilo de vida, além do seu nome, é interessante saber a sua idade exata, se você é casado, solteiro, com o que trabalha e com o que já trabalhou, onde, como e com quem mora.
v  Sobre o que levou você ao médico agora:
Ø  Ele precisa saber exatamente o que o motivou a procurá-lo para aquela consulta: foi a dor de cabeça, a dor no pé, a diarréia ou aquela manchinha que apareceu no rosto? Essa é sua queixa principal, normalmente única, a que mais te incomoda. Informe seu médico há quanto tempo essa queixa começou.
§  Exemplo: "Estou aqui pois estou com dor no ombro direito há 1 semana".
v  Dê detalhes sobre a sua queixa principal:
Ø  Tente colocar os fatos em ordem cronológica (na sequência em que aconteceram). Isso facilita o raciocínio médico.
Ø  Quando começou, se foi de repente, se foi aos poucos, se houve algum fator que desencadeou, como um acidente.
Ø  Se você já teve quadro semelhante. Há quanto tempo? Foi igual? Como foi?
Ø  Se essa sua queixa vem acompanhada de algum outro sintoma.
Ø  Se a sua queixa for de dor, seja ela onde for, se concentre e pense bem nas características dessa dor. Evite dar informações vagas como "é uma dor doída". É importante seu médico saber: ela parece uma queimação, uma pontada, uma torção, um aperto? É forte ou fraca? Ela fica somente em um local ou ela vai se espalhando? Ela vai de onde para onde? Ela é constante ou ela vai e volta? Algo a faz melhorar? Algo a faz piorar? Quando ela aparece, vem acompanhada de algum outro sintoma?
§  Exemplo: "Estou com essa dor de cabeça há 1 mês. Ela começou de forma leve e foi se tornando mais forte. Percebo que é somente em uma parte da cabeça, mais do lado direito, como se estivesse latejando. Antes durava horas, agora já está durando quase 2 dias. Ela aparece pelo menos 1 vez por semana. às vezes vem acompanhada de náuseas. Piora com o som alto e melhora quando estou em ambiente escuro."
v  Sobre a sua saúde em geral:
Ø  Diga se há outras queixas que também o incomodam.
Ø  Informe quais doenças você já teve e já tratou.
Ø  Diga se ainda tem alguma doença (mesmo que ela esteja controlada!!!), por exemplo: hipertensão arterial, diabetes, depressão, HIV/Aids etc. Evite esconder doenças ou internações de seu médico, mesmo que aparentemente não tenham a ver com a doença de agora, pois isso pode atrapalhar e muito o diagnóstico e o tratamento. Tudo o que for dito em consulta está sob sigilo médico, ou seja, ficará somente entre vocês.
Ø  Informe quais medicamentos você usa. Anote tudo antes da consulta para não esquecer, ou então leve as receitas ou bulas. O médico precisará saber o nome do remédio, portanto, informações como "aquele comprimidinho amarelinho", não vão ajudar muito...
Ø  Informe como é sua alimentação, seu sono, se tem boa digestão, se seu intestino funciona bem, se a urina está normal.
Ø  Informe se tem emagrecido/engordado muito nos últimos meses.
Ø  Dê uma idéia para o médico de como você é emocionalmente (ansioso, deprimido, estressado).
Ø  Diga se já fez cirurgias, quando e para quê.
Ø  Diga se já sofreu algum acidente grave ou se já precisou de transfusão de sangue.
Ø  Diga se tem o hábito de fumar, de ingerir bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de droga (lembre do sigilo médico, ficará somente entre vocês dois e ajudará seu diagnóstico).
Ø  Se for mulher, desde quando menstrua, se já ficou grávida, se já teve aborto.
Ø  Diga se tem alergia de alguma coisa, seja alimento, produto ou medicamento.
v  Sobre a saúde da sua família:
Ø  Inclua aqui seus pais (mesmo se eles já faleceram), irmãos, avós. Lembre que marido, esposa, cunhado e sogros não são parentes de sangue e, portanto, as doenças deles não terão relevância para o seu médico.
Ø  Lembre se seus parentes de sangue têm alguma doença como pressão alta, diabetes, problema psiquiátrico, câncer, se já teve infarto etc.
Ø  Se algum deles já faleceu, se você sabe de quê (infarto, derrame etc) e com que idade.
v  Sobre sua vida social:
Ø  Informe onde você mora, se é uma região da cidade que tem água e esgoto tratados.
Ø  Como é sua situação financeira (assim ele saberá quais medicamentos poderá prescrever).
Ø  Como é sua relação com as pessoas (família, amigos, vizinhos).
Ø  O que você faz nas horas vagas.
Dependendo da especialidade do médico e do tipo da queixa principal do paciente, essa entrevista pode ser dirigida, ou seja, o médico pode esmiuçar mais alguns detalhes e menos outros.
Após a entrevista, chegou a hora do exame físico.
Basicamente, o médico fará um exame físico geral, onde ele avaliará o seu aspecto geral, peso, altura, hidratação e sinais vitais.
Medindo a pressão arterial no braço
Os sinais vitais são dados colhidos no exame do seu corpo que são importantíssimos, apesar de serem muito simples. São eles: temperatura, frequência cardíaca (quantas vezes o seu coração bate por minuto), frequência respiratória (quantas vezes você inspira e expira por minuto) e sua pressão arterial.
Após conseguir esses dados gerais, ele passa para examinar os diferentes segmentos do seu corpo.
Evite falar durante o exame físico. Boa parte dele consiste em observar os movimentos e sons naturais do corpo, o que pode ser prejudicado com a sua fala.
Para que ele não deixe passar nada no exame físico, em cada segmento examinado ele sempre deve seguir o seguinte roteiro:
v  Inspeção: antes de encostar a mão, ele olha, procurando por alterações visíveis, como mudança de cor e deformidades.

v  Palpação: depois de olhar, ele toca, sente se há alteração de temperatura, de textura, se há dor à compressão, toca as estruturas conhecidas do corpo para observar se há alteração perceptível, massas.

v  Percussão: essa é a hora em que a gente se transforma em um tambor. O médico, ao percutir (dar pequenas batidinhas) o pulmão ou a barriga, por exemplo, ele consegue perceber se lá dentro há líquido ou alguma massa, como um tumor, pela diferença do som. É igual quando batemos de leve em uma parede: dependendo do som, sabemos se aquela parte da parede é maciça ou se está oca, com uma bolha de ar. O princípio é o mesmo.

v  Ausculta: é para a ausculta que ele precisa daquele aparelhinho que todo médico tem (normalmente pendurado no pescoço), o estetoscópio. Esse aparelho amplia os sons internos do nosso corpo e permite que o médico observe se os sons da respiração, do coração e da barriga estão normais ou alterados.
Assim como a anamnese, dependendo da queixa do paciente e da especialidade do médico, ele pode focar o exame físico em alguma região do corpo. Algumas especialidades, como ginecologia, neurologia e ortopedia tem exames específicos para diagnosticar suas doenças.
Com uma anamnese e exame físico bem feitos, mais de 90% dos diagnósticos já podem ser feitos. Os exames de sangue, de imagem e outros só devem ser pedidos se o médico quiser tirar alguma dúvida, ou excluir alguma hipótese. Por essa razão esses exames são chamados de complementares, pois eles não são essenciais, somente complementam o raciocínio médico quando necessário.
Dessa forma, não ache ruim se o seu médico não pediu nenhum exame de sangue após a consulta. Você deve achar ruim se ele não conversou adequadamente com você ou não te examinou.
Por outro lado, os médicos atendem pacientes que, ao entrarem no consultório, apresentam como motivo da consulta: "Vim para o senhor pedir uma ressonância para ver meu joelho". Nunca faça isso! Agora você já sabe que se o médico precisar complementar o raciocínio para o diagnóstico ele pedirá o exame complementar mais indicado para o seu caso.
Se você está indo numa consulta de retorno, não se sinta ofendido se o médico não lembrar "de cabeça" sobre o seu caso. Ele provavelmente atende inúmeras pessoas, muitas com casos parecidos, mas com o tempo irá memorizar cada um. Claro que ele terá as anotações sobre você em sua ficha, mas seria legal, nesse caso, você fazer um pequeno (pequeno mesmo) resumo do seu caso para relembrá-lo antes de dizer se o tratamento foi bom ou ruim.
Tente criar essa boa conexão com seu médico para que você se sinta mais à vontade para tirar suas dúvidas. Sem essa conexão, normalmente a consulta termina quando as hipóteses diagnósticas estão feitas e o médico entrega à você o pedido de exames complementares ou a receita da medicação. É aí que você sai frustrado, cheio de dúvidas, sem saber o que tem e o que deve fazer.
Caso o médico não entre em detalhes, tente entender o que ele pensa que você tem. Pergunte!
Pergunte se além dos medicamentos prescritos, existe alguma recomendação dele à ser feita em termos de alimentação, atividade física.
Pergunte sempre se existem opções de tratamento que não envolvem medicamentos, para que você possa estudá-las.
Esclareça quais os sintomas que você deve observar que signifiquem que você deve entrar em contato imediato com ele ou com um serviço de emergência.
Por último, leia a receita antes de deixar o consultório e esclareça as dúvidas com relação ao nome dos medicamentos (pergunte se poderá comprar os genéricos), forma de uso e quantidade. Se ilegível, peça educadamente para ele reescrever.
Feito isso, siga as recomendações, mude o que precisa mudar. Pense que você não estará fazendo isso pelo seu médico, mas sim por você mesmo, pela sua saúde e bem estar.
O sucesso da sua melhora, no final das contas, dependerá mais de você do que de seu médico.

Se tiver dúvidas ou perguntas sobre a consulta médica, deixe um comentário abaixo. Pergunte!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Como funciona nosso corpo: a pele


A pele é nosso cartão de visitas. É a parte do corpo que primeiro vemos e sentimos ao conhecer alguém.
Pensando em nosso corpo como uma grande cidade, a pele seria uma fortaleza, aquela grande muralha protetora. Nos protege contra invasores externos, sejam eles microorganismos (germes), calor, frio, acidentes, produtos químicos etc.
Como ela faz parte do organismo que ela protege (ou seja, nós), ela também é feita de células. No entanto, para que possa executar tão bem a função de fortaleza, as suas células devem ser especializadas em funções protetoras e bem organizadas.
Basicamente a nossa pele é constituída de 2 setores, cada um com um tipo de função e, portanto, com células de especialidades diferentes.


Esquema da estrutura microscópica da pele, mostrando suas camadas


A linha de frente, a epiderme:
A epiderme é a parte mais externa da pele, aquela que vemos e tocamos. A espessura dessa camada varia de acordo com a região do corpo: por ela ter a função de proteger-nos de agentes externos, em áreas que temos mais atrito, como mãos e pés, ela é mais grossa.

A parte mais superficial da epiderme, a que está em contato com o meio ambiente, é composta por células achatadas, que produzem uma substância resistente e impermeável chamada queratina. Essas células, os queratinócitos, ficam muito perto umas das outras, como se estivessem de mãos dadas, bem apertadas, o que, juntamente com a ajuda da queratina, impede a perda de água ou a entrada de microorganismos e outros agentes.
Normalmente, a parte que tocamos da nossa pele contém uma última camada de queratinócitos mortos que se desgrudam ao passarmos a mão. Podemos dizer que boa parte da poeira que encontramos em nossa casa de deve à essas células mortas.
As células da epiderme levam mais ou menos 1 mês para se renovarem. Por isso cortes e arranhões superficiais se curam rapidamente e quase nunca deixam cicatrizes.
Entrando um pouco mais na epiderme, há uma camada de células que se reproduzem rapidamente para poder repor as camadas externas que vamos perdendo ao longo dos dias. Podemos encontrar também algumas células de defesa, que entram em ação caso venha a penetrar algum invasor e também os melanócitos, células que produzem uma substância muito famosa, a melanina.
A melanina é um pigmento marrom escuro que tem a função de absorver os raios ultravioletas (UV) vindos do sol. Os melanócitos são células com grandes prolongamentos, assim como um polvo, que vão distribuindo a melanina que produzem para as outras células da epiderme.

Esquema de um melanócito e da distribuição da melanina para a camada mais superficial da pele
O que difere uma pessoa de cor escura de uma pessoa de cor clara é somente a quantidade de melanina que é produzida. Nada mais.
Esquema que mostra a única diferença entre as pessoas de pele clara e de pele escura: a quantidade de melanina depositada nas células da pele.
A melanina então funciona como um escudo para proteger o núcleo da célula (onde fica o DNA, nossa carga genética) dos raios UV.
O câncer de pele, por exemplo, se inicia quando há alguma alteração nessa carga genética da célula, fazendo com que ela se multiplique de forma errada, causando o tumor. Os raios ultravioletas do sol têm capacidade de provocar essas alterações, por isso é tão importante se proteger deles.

A derme, por onde trocamos calor e sentimos os estímulos externos:
A derme é a camada mais interna da pele, formada por fibras e por grande quantidade de vasos sangüíneos e terminações nervosas.

Esquema que ilustra a diminuição de fibras
elásticas com o passar da idade, causando rugas
As fibras, juntamente com a água e outros elementos, dão sustentação à epiderme

 As duas principais fibras dessa camada são o colágeno e a elastina. Juntas, elas ajudam a pele a estirar (quando dobramos o cotovelo, por exemplo) e a se reposicionar. O colágeno é mais forte e mais difícil de ser estirado, responsável pela firmeza da pele. Já a elastina é elástica, como o nome diz.
Com o passar da idade - ou em fumantes - a elastina vai se deteriorando, o que diminui a elasticidade da pele e provoca o surgimento de rugas.
Os vasos sanguíneos são as estradas responsáveis por levar os nutrientes às células da pele. Além disso, quando o corpo precisa perder calor, como em caso de febre, esses vasos, que são os mais superficiais do corpo, se dilatam, deixando uma maior quantidade de sangue próxima do meio externo, de forma a transferir o calor para o ambiente. No frio ocorre o inverso: esses vasos se contraem expondo menos sangue à superfície e, portanto, guardando mais calor.
As terminações nervosas são ligações diretas com os nervos que levam ao cérebro os estímulos de dor, assim como percepções de tato. Através dessas terminações conseguimos saber quando alguém ou algo nos toca, nos machuca, se uma superfície é lisa ou áspera, se faz frio ou calor.

Abaixo da pele, a hipoderme
A hipoderme é uma camada que fica abaixo da derme. Ela não é oficialmente considerada parte da pele, mas merece ser falada.
Essa camada liga a pele às demais estruturas do nosso organismo, logo abaixo dela. É formada basicamente de gordura e, por isso, tem espessura variada, maior se a pessoa for gordinha e menor se magrinha.
Essa gordura abaixo da pele funciona como um amortecedor contra pancadas. Além disso, ela ajuda a manter a temperatura do corpo e claro, por ser gordura, funciona como um reservatório extra de energia, para épocas de crise.

A importância dos anexos
São consideradas estruturas da pele: pelos (e cabelos), unhas, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas.
Os pelos são estruturas que herdamos de nossos antepassados e que, no homem moderno, se localizam em regiões mais delicadas, para protegê-las.
Os pequenos pelos do nosso corpo são ligados a um pequenino músculo que, no frio, torna o pelo ereto, dando a aperência de "pele de galinha". Isso faz com que se acumulem bolhas de ar junto à pele, o que retarda as trocas de calor.
Ao lado de cada pelo, existe uma glândula sebácea, que produz o sebo, uma gordura com a função de lubrificar a pele, torná-la impermeável à água, além de diminuir o acúmulo de muitos microorganismos.
As glândulas sudoríparas produzem o suor, constituído basicamente de água e sais e tem a função de controlar a temperatura. Quando está muito quente, o suor é eliminado para a superfície da pele pois, quando essas pequenas gotas de suor são evaporadas no meio ambiente, elas levam com elas um pouco do calor do nosso corpo, nos refrescando.

Nosso suor não tem cheiro. O que dá aquele característico cheiro de "CC", ou "Cheiro de Corpo" é, na verdade, quando o suor carregado de algumas substâncias de regiôes específicas do corpo, como axilas, é metabolizado por bactérias que ficam na superfície da pele. O resultado desse metabolismo é que tem odor desagradável. Por isso não precisamos passar desodorante no corpo inteiro.
As unhas são formadas basicamente de queratina (aquela substância resistente e impermeável) e têm como função proteger as extremidades do corpo que têm mais propensão a serem traumatizadas.

Deu pra entender a importância da pele?
Então veja dicas importantes para cuidar bem dela.

Em primeiro lugar, ela deve sempre estar bem hidratada. E para isso não bastam os cremes hidratantes. Como vimos que ela é feita de várias camadas de células, ela precisa receber água "de dentro", ou seja, precisamos tomar muito líquido.
Se em épocas de calor transpiramos mais para controlar a nossa temperatura, isso significa que perdemos mais água e que precisamos nos hidratar ainda mais. Lembrando que o nosso suor é composto de água e sais, o que faz com que as bebidas isotônicas e água de coco sejam mais bem vindas nessas épocas.

Como o sebo - por incrível que pareça - é uma proteção importante, devemos tratá-lo com cuidado. Para isso basta lembrar que os extremos nunca são bons. Isso quer dizer que não podemos removê-lo totalmente pois ficaremos com uma pele quebradiça, sujeita a rachaduras e entrada de microorganismos indesejáveis em nosso corpo. Em contrapartida, se deixarmos que se acumule, ele pode propiciar o acúmulo de germes na superfície da pele, o que será igualmente nocivo.

Mantendo-a hidratada por dentro e por fora, é preciso protegê-la do SOL!
Dois tipos de raios UV chegam à superfície do planeta e atingem a nossa pele desprotegida: os raios UVA e UVB. Os primeiros provocam a pigmentação (depósito de melanina) na pele, podendo causar manchas. O segundo provoca queimaduras, provocando vermelhidão.


A queimadura, por mais leve que possa parecer, é uma lesão às células da pele, fazendo com que elas fiquem inflamadas, se rompam com facilidade, alterando a função de barreira protetora. Assim, é facilitada a entrada de microorganismos indesejáveis além de facilitar também a perda de líquidos do nosso corpo, podendo levar à desidratação e, em casos mais graves, a choque hipovolêmico.

Para prevenir o câncer de pele, devemos fazer o possível para que esses raios UV não alterem o núcleo das nossas pequenas células. Considerando que os raios estão cada vez mais agressivos, não podemos contar somente com a nossa melanina não. Precisamos usar e abusar do "kit sol".

O efeito do sol é cumulativo, ou seja, vamos ver lá longe os efeitos do sol que tomamos desde criança. E isso não tem volta.

Não basta lembrarmos de cuidar da pele somente no verão!!
Precisamos nos proteger todos os dias, desde sempre, mesmo quando não vamos à praia ou à piscina.

Crie o hábito de passar filtro solar nas áreas não cobertas pela roupa (rosto, pescoço, colo, braços) todos os dias!


Acorde, escove os dentes, lave o rosto e passe o filtro solar. Repita após o almoço.
Isso também vale para os homens, que costumam fingir que não estão ouvindo, viu?!!

Campanha da Sociedade Brasileira de Dermatologia contra o câncer de pele.



Para ver tudo o que foi dito aqui em imagens incríveis, assista o vídeo sugerido abaixo, em 3 partes:




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