segunda-feira, 5 de março de 2012

Dicas de primeiros socorros para situações específicas

Estas dicas foram publicadas no Indike, onde escrevo uma coluna mensal, com dicas e orientações sobre saúde. Este artigo dá continuidade ao que precisamos saber sobre primeiros socorros.

São várias as situações emergenciais com as quais podemos nos deparar. Na coluna anterior, forneci orientações básicas sobre como uma pessoa não treinada deve agir em situações assim, principalmente em acidentes.

No entanto, algumas situações que exigem cuidados especiais podem nos aparecer. Mesmo nesses casos, as regras básicas faladas anteriormente como manter a calma, proteger-se, proteger o local e a vítima, chamar por socorro e avaliar a respiração sempre são válidas.

Seguem então algumas dicas que podem ser úteis:



Desmaio:

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· é basicamente a perda dos sentidos e tem diversas causas, as quais você não é obrigado a descobrir;

· coloque a vítima em posição confortável, afrouxe as roupas, coloque a cabeça levemente de lado para que ela respire melhor e eleve as pernas, deixando a cabeça mais baixa que o resto do corpo;

· não jogue água, não dê tapas, não a sacuda e não dê nenhum produto químico para ela cheirar;

· ao acordar, não deixe que ela levante-se subitamente. Ela deve ficar alguns minutos sentada antes de ficar de pé e procurar um médico.


Convulsão:

· é diferenciada de um simples desmaio pois na convulsão a pessoa normalmente se debate de forma involuntária, saliva muito e pode eliminar urina ou fezes. Isso pode durar até 5 minutos e é seguido de um estado de sono e confusão mental.

· afaste objetos que podem machucar a vítima durante as contrações musculares: retire óculos, objetos cortantes, a afaste de escadas ou piscinas;


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· não tente contê-la, proteja a cabeça mas a deixe livre para movimentar-se;

· não coloque sua mão na boca da vítima, você pode perder seus dedos! Coloque um pedaço de tecido entre os dentes, para evitar que a língua seja mordida. Mas se a boca estiver travada, não tente abri-la a força;

· quando os movimentos diminuírem, lateralize a cabeça para evitar engasgos e facilitar a respiração;

· também não jogue água, não a sacuda e não dê nenhum produto químico para ela cheirar;

· ao acordar, não deixe que ela levante-se subitamente. Ela deve ficar alguns minutos sentada antes de ficar de pé e ser levada ao médico.


Engasgo:
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· é grave pois impede a passagem de ar, podendo levar rapidamente à morte.

· controle o desespero e nunca coloque o dedo direto na garganta para tentar retirar o que está provocando o engasgo, pois isso poderá empurrar ainda mais o material para dentro e agravar a situação!

· posicione-se atrás da vítima e a abrace, colocando uma das mãos fechadas sobre a “boca do estômago”. A outra mão, abraça a primeira e empurra a "boca do estômago" para dentro e para cima, como se quisesse levantar a vítima do chão. Esse movimento de compressão para dentro e para cima deve ser feito até que a vítima elimine o corpo estranho, ou até que o socorro chegue;

Salvamento no engasgo: Manobra de Heimlich
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·         em bebê, coloque-o de bruços sobre seu braço e faça pequenas compressões no meio das costas; depois, vire-o para cima e faça o mesmo no meio do peito. Se visualizar o corpo estranho, tente retirá-lo com cuidado.


Salvamento de engasgo em bebês
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· se a vítima perder a consciência, ligue imediatamente para o serviço de emergência.


Queimadura:

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· esfrie a área queimada com água fria (não use gelo);

· remova anéis, roupas ou qualquer material que esteja sobre ou próximo da área queimada;

· em caso de queimadura por produtos químicos, lave o local em água corrente pelo máximo de tempo que puder;

· não aplique nenhuma substância sobre a queimadura! Pasta de dente, ovo, pomadas, manteiga e óleo só irão prejudicar a lesão.

· não tente remover roupas grudadas e não estoure as bolhas;

· se a extensão da queimadura for maior que 1 palmo ou localizada sobre a face, pescoço, mãos ou região genital, um médico deve ser procurado imediatamente;

· no caso de queimadura elétrica não toque na vítima e chame socorro imediato!


Deixe um comentário se tiver dúvidas ou sugestões!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Como funciona nosso corpo: a circulação

Todas as nossas células precisam receber os nutrientes que digerimos e o oxigênio que respiramos para poderem trabalhar e nos manter vivos. Além disso, precisam ter suas excretas recolhidas para que não morramos intoxicados pelo nosso próprio lixo.

Para que isso ocorra, essas diversas substâncias - junto com muitas outras, como hormônios - precisam circular pelo organismo, se locomovendo de um lugar para outro. Para isso serve o nosso sistema circulatório, composto pelos vasos sanguíneos e pelo coração.

Já o encarregado de carrear essas substâncias por nossas estradas internas é o sangue.


Quando eu era pequena eu imaginava que fossemos como uma bexiga cheia de sangue. E eu não entendia como nosso corpo podia ser cortado em cirurgias sem que nosso sangue escapasse por completo. Para alguns pode parecer absurdo, mas ainda há quem imagine dessa forma.

O que acontece é que temos um sistema circulatório chamado "fechado". Isto é, nosso sangue corre somente dentro dos vasos e se tiver sangue fora deles alguma coisa está bem errada. Por isso os médicos cirurgiões são muito bem treinados com relação à anatomia para que não perfurem vasos importantes durante um procedimento cirúrgico.

Foto da internet mostrando o momento de uma cirurgia: veja como não somos um saco de sangue; nosso sangue corre perfeitamente dentro de vasos.


Mas alguém aí pode falar: "Mas quando sofremos qualquer cortinho besta já sangramos...". É verdade. Vou explicar: se todas as células do nosso corpo precisam receber o sangue, ele precisa chegar até as áreas mais remotas, nossas extremidades. Para isso, nossos vasos vão se ramificando, como se fossem galhos de árvores, e vão ficando mais finos quanto mais perto das suas células-alvo. Dessa forma, o sangue chega em todos os cantos, levando e trazendo tudo o que uma célula precisa. O sangramento que acontece nos nossos cortinhos e arranhões, provém da ruptura desses pequenos vasinhos superficiais, mas é em pequeno volume, podendo coagular e estancar rapidamente.

Quando eu falo "vaso sanguíneo", a maioria deve pensar nas veias, como eles popularmente são chamados. Mas nem todos os vasos sanguíneos são veias. Existem também as artérias e os capilares.



Para explicar isso, vamos entender um pouco de anatomia. E vamos começar pelo mestre, o coração.


Ele fica alojado em um espaço entre nossos 2 pulmões, também protegido pela caixa torácica. O coração é dividido em 4 câmaras (2 átrios, em cima, e 2 ventrículos, embaixo). O sangue sempre entra no coração através de uma grande veia que se liga aos átrios e sai por uma artéria que se liga aos ventrículos. Pra visualizar melhor:
  • do lado esquerdo do coração, as veias pulmonares trazem o sangue cheio de oxigênio vindo dos pulmões. Esse sangue entra no átrio esquerdo, passa para o ventrículo esquerdo e segue pela artéria aorta (essa é famosa, heim!) para ser distribuído para as células do nosso corpo;
  • do lado direito do coração, as veias cavas trazem o sangue pobre em oxigênio e rico em gás carbônico, vindo das nossas células que já respiraram. Esse sangue entra no átrio direito, passa para o ventrículo direito e segue pela artéria pulmonar para os pulmões;

    Esquema simplificado do coração humano mostrando suas 4 câmaras e os principais vasos

    Clique aqui e assista a um vídeo curto que ilustra o ciclo cardíaco.
    
  • nos pulmões esse sangue terá seu gás carbônico removido, será novamente enriquecido com oxigênio através da respiração e voltará ao coração novamente pelas veias pulmonares.... É um ciclo fechado. E observamos que esse ciclo tem um circuito curto (circulação pulmonar), entre o coração e o pulmão e um circuito grande (circulação sistêmica), entre o coração e o restante do corpo.

Esquema que ilustra a circulação pulmonar e a circulação sistêmica
Entre essas câmaras do coração e entre os ventrículos e grandes vasos que se ligam à ele existem válvulas (chamamos de valvas) que mantém o sangue fluindo em uma única direção.

Imagine: o sangue entra no ventrículo esquerdo através do átrio esquerdo: se não existisse uma válvula nessa transição, durante a contração do ventrículo (sístole) o sangue poderia refluir para os pulmões ao invés de seguir rumo ao corpo, causando uma congestão pulmonar.

Doenças nessas válvulas do coração (temos 4 valvas) são chamadas valvopatias e podem ser graves.

O barulhinho de TUM-TÁ que o coração faz nada mais é do que o som do fechamento dessas valvas. O médico tem os ouvidos treinados para detectar alterações nesse som, que podem indicar uma série de doenças.

Esquema que mostra o ciclo do coração: sístole é a contração do músculo; diástole é o relaxamento.
Rede elétrica do coração

O coração bate num ritmo médio de 70 vezes por minuto, podendo variar entre 60 a 100 vezes, dependendo da pessoa, estilo de vida, etc.

Os músculos do coração são equipados com uma eficiente rede elétrica que transmite os sinais para os batimentos corretos.

Quando nos exercitamos, nossos músculos precisam de mais oxigênio do que o normal e isso faz com que nosso coração receba instruções para bater mais rápido, levando mais sangue e, consequentemente, mais oxigênio.



Sabendo um pouco da anatomia do coração, entendemos que as veias são os vasos sanguíneos que entram no coração, vindo ou dos pulmões ou das nossas extremidades e órgãos. Já as artérias são os vasos que saem do coração e seguem em direção aos pulmões ou às nossas extremidades e órgãos.


Sendo assim, é errado dizermos que as artérias só carregam sangue rico em oxigênio e as veias, sangue pobre nesse gás. Isso só é válido quando pensamos no circuito grande (circulação sistêmica, entre o coração e o restante do corpo). No circuito pulmonar ocorre o inverso.


E outra coisa: na nossa anatomia real as veias não são azuis e as artérias não são vermelhas!! Os desenhos são padronizados dessa forma somente para facilitar a diferenciação.
Na realidade não somos coloridos: veja a veia ao lado da artéria. O sangue venospo, porém, é um pouco mais azulado por conter menos quantidade de oxigênio. Só isso.

Já os vasos capilares são os vasos bem ramificados e finos, que se encontram nos nossos órgãos - inclusive pulmões - e nas nossas extremidades. É nos capilares que as substâncias podem entrar e sair do sangue, lá ocorrem as trocas.


Como o sangue não "corre" por si só, o coração faz o papel de bomba, que impulsiona o sangue pelos vasos. Como uma bomba de água mesmo. Por ele ser um órgão muscular, ele se contrai para empurrar o sangue de dentro dele através das artérias, rumo ao seu destino. Sua força deve ser suficiente para movimentar todo esse circuito - até o sangue chegar de volta pelas veias. Haja força! E quanto mais força o coração tem que fazer para o sangue chegar nos capilares mais distantes, mais musculoso o coração fica. Mas músculos demais em um órgão que não é tão grande pode ser prejudicial e causar doenças.


Como as artérias são os vasos que recebem o sangue bombeado diretamente do coração, elas devem poder suportar uma pressão maior. Por isso elas têm uma parede mais muscular e mais elástica. Quanto mais as artérias vão se distanciando do coração, mais finas vão ficando suas paredes, até se transformarem nos capilares.

  


Válvulas das veias

Os capilares, por sua vez, se transformam em veias e o sangue começa a voltar ao coração. Aí o sangue já não tem mais tanta força e pressão, por estar longe do coração. Assim, as paredes das veias podem ser mais finas que as das artérias.



No entanto, pelo fato de o sangue não ter mais tanta pressão nas veias, ele precisa de uma ajudinha para fazer esse caminho de volta. Por isso as nossas veias também contém válvulas em seu percurso, para evitar que o sangue reflua, fazendo-o sempre seguir em frente.



Quando há algum problema nessas válvulas o sangue não consegue voltar para o coração e se acumula nas veias, deformando-as. Assim começam as varizes.



Para ajudar o sangue a circular bem pelas veias, temos que exercitar nossos músculos, pois, quando eles se contraem, eles funcionam também como uma bomba, pressionando os vasos e fazendo o sangue seguir.



Isso é muito importante nas pernas, pois lá o sangue tem um longo caminho para subir, ainda vencendo a resistência da gravidade! Por isso é importante movimentarmos a "batata da perna", ou panturrilha, quando permanecemos muito tempo parados, em pé ou sentados.



Tudo o que foi explicado aqui está muito bem ilustrado com imagens reais do corpo humano nessa sequência de 3 vídeos sugeridos.

Basta clicar em cada um deles:


Vídeo sugerido III




Se tiver dúvidas ou sugestões, deixe um comentário abaixo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Como funciona nosso corpo: a respiração


Bem, já entendemos que para pararmos em pé precisamos alimentar nossas células através do processo de digestão. No entanto, para que as nossas células possam transformar aquelas pequenas partículas de alimentos em energia para o trabalho do dia-a-dia elas precisam do oxigênio.

A forma que nosso corpo consegue captar o oxigênio do ar e entregá-lo às células é através da respiração. Sim! É para isso que respiramos sem parar! São quase 25 mil respirações por dia.

Sem energia nossas células não funcionam e, consequentemente nada no nosso corpo funciona: não pensamos, não andamos, não sentimos, nada. Acho que assim fica claro para todos a importância de respirarmos um ar de qualidade e de ingerirmos alimentos de qualidade.

Se você for se informar sobre a respiração em textos técnicos médicos possivelmente vai se cansar por conta da quantidade de gráficos, cálculos de pressão, volume, etc. Por isso vou me esforçar para explicar aqui o que é relevante para o entendimento e de forma bem simplificada.
Tudo acontece no sistema respiratório.



Esquema mostrando as estruturas do sistema respiratório
Ele começa no nariz, passa ela garganta (faringe), depois laringe, inclui a traquéia, os brônquios e suas ramificações até chegar nos pulmões (sim, temos dois, um direito e um esquerdo). E para que esse sistema funcione como um bom aspirador de ar temos a caixa torácica e o músculo diafragma.

A caixa torácica é composta pelos ossinhos das costelas e pelos músculos entre eles. Os ossinhos formam uma verdadeira grade que protege essa parte tão importante do corpo, que contém os pulmões, o coração e vasos sanguíneos vitais. Os músculos entre os ossinhos trabalham (se contraindo e se distendendo) para movimentar essa "grade" quando enchemos o peito de ar ou o esvaziamos.

O diafragma é um músculo que fica logo abaixo dos pulmões, separando a caixa torácica da barriga. Ele é fundamental para a respiração pois é devido seu movimento que sugamos o ar do ambiente. Funciona assim:
  • se o diafragma se contrai, ele se move para baixo, em direção à barriga; os pulmões o acompanham, ficando maiores em volume (consequentemente com uma pressão menos) e "sugando" o ar do ambiente. Quando o ar entra chamamos de inspiração.
  • Se o diafragma se relaxa, ele volta para cima, contrai os pulmões e expulsa o ar novamente para fora. Essa é a expiração.

Esquema que mostra como puxamos e expelimos o ar conforme o movimento do músculo diafragma
Quando o ar é sugado para dentro, é normal que ele entre pelas narinas (os buraquinhos do nariz). O nariz foi cuidadosamente projetado para receber esse ar direto do ambiente. Ele possui estruturas internas cheias de vasos sanguíneos que passam parte do calor do nosso corpo ao ar que entra para que ele não resfrie tanto nossos pulmões. Além disso, o nariz e a parte inicial do tubo respiratório possui muco e cílios que filtram as impurezas para que essas não entrem em nós:
  • o muco é uma secreção gosmenta, que contém substâncias de defesa contra microorganismos invasores, onde a pequena sujeira do ar se gruda  (agora você já sabe de quê as caquinhas, ou "catotas" são feitas!) para ser expelida ou engolida.
  • os cílios seguram partículas grandes, como uma teia de aranha, uma rede. Eles também fazem um movimento de "varrer", varrendo o muco para a região da garganta onde pode ser finalmente expelido junto com toda a sujeira.
Algumas pessoas que têm importantes desvios de septo ou adenóides grandes têm dificuldades de respirar pelo nariz e acabam respirando pela boca. Com isso elas perdem esse primeiro filtro de ar e acabam por inspirar ar com mais impurezas.
Respiração bucal
Os fumantes também acabam por perder essa primeira defesa, pois o fumante acaba por perder esses cílios, inspirando ar com ainda mais impurezas e formando o pigarro, pois o muco não é varrido para a garganta para ser expelido naturalmente.

Então, o nariz aquece, umedece e limpa o ar inspirado. A partir daí esse ar é levado através da garganta (chamamos de faringe) para a laringe. Na laringe existe uma válvula, chamada de epiglote, que separa - a partir de agora - o tubo destinado à digestão (lembra do esôfago?) do tubo destinado à respiração. A epiglote direciona o ar para o tubo respiratório, onde ficam as cordas (chamadas corretamente de pregas) vocais e seguindo para a traquéia. Quando engasgamos, algo que era para ir para o tubo digestivo entra pelo o tubo errado, obstruindo a respiração.

A traquéia é um tubo de músculo (também com cílios) revestido por anéis de cartilagem (para que possa permanecer em formato de tubo) que se divide em 2 brônquios, direcionando o ar para o pulmão direito e esquerdo. Ela se inicia ainda na região do pescoço e logo se protege no interior da fortaleza torácica.

Os brônquios, por sua vez, vão perdendo os anéis de cartilagem, se ramificam em tubos cada vez menores e suas paredes vão se tornando ainda mais finas. Assim como galhos de uma árvore, as ramificações dos brônquios (bronquíolos) acabam por cobrir toda a extensão dos pulmões terminando em estruturas muito finas chamadas de alvéolos.

Os alvéolos são os pequenos "saquinhos" de ar que compõem o pulmão. Suas paredes são finas e sempre em contato com algum vaso sanguíneo. Isso faz com que o oxigênio que inspiramos possa "atravessar" essa parede e seguir através do sangue (nossas rodovias) para todas as células que precisam dele. O processo de transporte através do sangue será melhor explicado na postagem sobre a circulação.


Quando nossa célula usa o oxigênio para transformar o alimento em energia, esse processo gera como resíduo o gás carbônico e água. Esses resíduos são devolvidos ao sangue e voltam pelas estradas aos mesmos alvéolos, atravessam suas paredes e são finalmente misturados ao ar do ambiente com a expiração. Por isso que quando respiramos próximo ao espelho ele embaça rapidamente: eliminamos água!
Respiração celular: consome nutrientes e oxigênio e elimina gás carbônico e água
Veja tudo isso com imagens incríveis nos vídeos sugeridos:

O sistema respiratório I
O sistema respiratório II
O sistema respiratório III








quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O que devemos saber sobre primeiros socorros?

Esse texto é meu e foi publicado no Blog do Indike. Lá, você também pode encontrar informações de diversas áreas, ecritas pelos profissionais e também direcionadas para o público leigo.
 A maioria das pessoas não tem treinamento de socorrista, mas qualquer um pode, a qualquer momento, se deparar com uma situação inusitada em que precisará prestar socorro à alguém necessitado. E aí, o que fazer?
 
Mantenha a calma. Você não é obrigado a fazer nada que você não se sinta capaz. No entanto, deve saber o que não fazer, para não prejudicar a vítima ou você mesmo. Pare e pense! Não faça nada por impulso. Veja se no local há algum médico, enfermeiro, bombeiro ou policial para que possam ajudar nesse tipo de situação. Se não houver, tome a frente.
Avalie a cena. Essas informações serão muito importantes para passar ao serviço de socorro, principalmente em casos de acidentes de trânsito. Veja o número de vítimas, se estão conscientes, se há pessoas presas em ferragens, se há risco de incêndio e por aí vai.
Garanta a segurança: sua, da vítima e dos demais. Antes de tomar qualquer atitude, proteja-se e proteja o local! Nunca se exponha a riscos: se for um acidente de trânsito, peça a ajuda aos demais para sinalizar e proteger o local, mantendo a vítima e o socorro em segurança. Nunca toque em sangue ou secreções sem proteção.
 Mantendo-se calmo, com tudo analisado e em segurança, chame por ajuda. Peça para alguém chamar o serviço de emergência através do 192 e passe as informações do ocorrido de forma objetiva, sem pânico e não se esquecendo de passar o endereço correto de onde vocês estão (acredite, isso muitas vezes é esquecido...)!
Enquanto espera o socorro profissional, você pode ajudar com o mínimo necessário em favor da vítima. Basicamente, para que a vida seja mantida até a chegada do serviço de emergência, você deve ter em mente que a vítima deve respirar e não perder grandes quantidades de sangue.
Faça contato com ela para saber se ela está consciente ou não. Se estiver consciente, acalme-a e diga que a ajuda já está a caminho. Se ela estiver falando, ótimo, pois significa que ela respira e que o coração está funcionando! Se ela estiver inconsciente, procure observar se ela está respirando e sentir se o coração está batendo. Não se afobe, identificar uma parada cardíaca ou respiratória exige um mínimo de treinamento. Se tiver dúvida, ou se perceber que a respiração ou os batimentos do coração não estão normais, o melhor a fazer é ligar novamente para o 192 e pedir orientações sobre como agir até que o socorro chegue. Nesses casos, uma massagem cardíaca mal aplicada poderá ser prejudicial.
Se for uma situação de acidente de trânsito, atropelamento ou queda, não movimente a vítima e a oriente. Também não tente remover capacetes. Mantenha a cabeça imobilizada, segurando-a pelas orelhas e impedindo que o paciente a vire. Isso porque sempre devemos considerar que uma vítima de trauma pode ter alguma lesão nas vértebras do pescoço, que, se movimentada, pode provocar paralisia irreversível. Nesses casos, a vítima só deve ser movimentada por profissional treinado ou em casos extremos, se houver perigo imediato, tal como incêndio, risco do veículo cair, ou seja, algum risco real e incontrolável.
Outra tarefa simples e que pode ajudar muito na manutenção da vida é controlar algum sangramento importante. Para isso, você deve primeiro proteger-se com luvas ou sacos plásticos limpos para não se contaminar. A técnica mais simples e eficaz é comprimir o local do sangramento com um pano limpo. Veja: não estamos falando de ficar limpando o ferimento, mas sim de apenas comprimí-lo com uma pressão suficiente para que o sangramento diminua. Obviamente estamos falando de lesões que podem ser cuidadas sem a movimentação da vítima.
Lembre-se: nunca faça torniquetes! Também nunca dê nada para a vítima comer ou beber. Se ela tiver sede, apenas molhe sua boca com um pouco de água. Para finalizar, sempre procure proteger a vítima do frio, do sol e da chuva.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Como funciona nosso corpo: a digestão


Saco vazio não para em pé. Todo mundo já ouviu isso um dia. E como somos um saco de células (ãhn?), precisamos dar à elas o que comer. Os alimentos que ingerimos dão às nossas células os nutrientes necessários para que elas tenham energia para trabalhar. Só assim poderemos parar em pé.

Basicamente, tudo o que comemos é composto de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. E cada pedaço de comida tem que ser dividido em pequenos pedaços para poderem ser absorvidos pelo organismo. É por isso que levamos horas para fazer a digestão.



O nosso sistema digestivo - que hoje é chamado de sistema digestório - nada mais é do que um grande tubo que atravessa nosso corpo, começando na boca e terminando no ânus. Esse tubo é obviamente também formado por inúmeras células especializadas. Para cada local do tubo digestivo há uma especialidade diferente de célula, responsável pelas diferentes funções necessárias para a digestão, como processamento dos alimentos, transporte, absorção de nutrientes, até a excreção do que não presta.



Além desse tubo, para uma boa digestão é necessário que os alimentos sejam processados por substâncias químicas para que sejam melhor absorvidos. Essas substâncias são produzidas em órgãos do nosso corpo que podem ser chamados de glândulas anexas do sistema digestório. São eles: glândulas salivares, fígado e pâncreas.

Mas... Como funciona tudo isso??


Tudo começa antes mesmo de o garfo chegar na boca.

Por que vocês acham que dizemos que um prato de comida bem elaborado abre o apetite? Por que vocês acham que dizemos que aquele cheirinho bom de comida nos dá água na boca? Porque é verdade!

Quando vemos - ou só imaginamos - um prato de comida bonito e colorido ou quando sentimos o cheiro da comida à nossa frente nossas glândulas salivares começam a funcionar e preparar nossa boca para receber o alimento.

Acho que deu pra perceber que as glândulas salivares produzem a famosa saliva, que é jogada diretamente na nossa boca. A saliva é importante porque ela contém uma substância (a amilase) que ajuda a processar os alimentos formados de carboidratos (os amidos e os açúcares). Mais da metade dos carboidratos que ingerimos já são quebrados pela amilase. Então, quando mandamos aquela garfada pra dentro e mastigamos, o alimento vai sendo triturado e misturado com a saliva, que já começa a digerir os carboidratos além de umedecer aquele "bolo" para podermos engolir. Veja a importância da sua mastigação sem pressa!





Quando engolimos, o bolo alimentar é transportado até o estômago através do esôfago. O esôfago é como se fosse um corredor que liga dois cômodos: a boca e o estômago. Mas, além de dar passagem ao alimento, ele também dá uma mãozinha para a comida se locomover e não entalar. A parede do esôfago é formada por músculos que vão se movendo de forma rítmica e empurrando a comida para o estômago. São os movimentos peristálticos, ou peristaltismo. Normalmente nós não sentimos esses movimentos.

Esquema mostrando os movimentos peristálticos no esôfago

No estômago, como em um liquidificador, o alimento será movimentado e misturado com ácido e outras substâncias químicas para que continue sendo digerido. Uma dessas substâncias é chamada pepsina e serve para digerir as proteínas.

O meio ácido é importante pois algumas substâncias que auxiliam na digestão só funcionam em meio à acidez. A parede do estômago é preparada para suportar essa quantidade fisiológica (normal) de ácido sem ser machucada. Mas a parede do esôfago, não. Por isso, entre o esôfago e o estômago existe uma válvula que garante que o alimento que caiu no estômago não suba de volta para o esôfago, trazendo o ácido junto. Quando há algum defeito nessa válvula ocorre o refluxo gastro-esofágico.

Esquema mostrando a válvula entre o esôfago e o estômago

Uma outra válvula, no final do estômago, regula quando esse alimento já está pronto para seguir em frente. Ao sair desse grande liquidificador que é o estômago, a nossa comida já se transformou em um líquido espesso (chamado agora de quimo) e grande parte dos carboidratos e proteínas já estão quebrados em moléculas menores, prontas para serem absorvidas pelas nossas células.

A absorção desses pequenos nutrientes, assim como o processamento das gorduras, acontecerá nessa próxima etapa: no intestino delgado.



Na primeira parte do intestino delgado, no duodeno, o quimo recebe substâncias vindas do fígado e do pâncreas para ajudar no processamento.

O fígado produz a também famosa bile, que divide a gordura em pequenas gotas, para facilitar o seu processamento. A bile é armazenada na vesícula biliar . Vejam: a vesícula é apenas um depósito para a bile extra! Sendo assim, quem teve a vesícula biliar removida continua a produzir a bile (no fígado, como todos nós!!), só que deve evitar comer muita gordura pois não terá mais o reservatório extra de bile. Entendido?

O pâncreas produz substâncias que ajudam a digerir as proteínas, gorduras e carboidratos. Ele também faz uma substância que neutraliza o ácido do estômago, para que o quimo possa seguir em frente sem machucar a parede do intestino.

A parede do intestino delgado contém inúmeras células cuja especialidade é absorver esses pequenos nutrientes processados. Essas células encaminham os nutrientes absorvidos para os vasos sanguíneos, que são as estradas do nosso corpo e transportam os nutrientes para todas as células, até as mais distantes. Parte desses nutrientes absorvidos são levado diretamente ao fígado para serem transformados em outras substâncias importantes para o corpo ou então estocados.

Esquema mostrando a parede do intestino delgado, com suas microscópicas dobrinhas, revestidas por células especializadas em absorção, que encminham os nutrientes aos vasos sanguíneos


Do intestino delgado, tudo o que não foi absorvido, mais a água (lembrem, nós também tomamos água!), viajam para o intestino grosso. Nessa transição de intestinos também existe mais uma válvula que impede que o quimo faça o caminho de volta. Nessa fase, o trabalho de absorver os nutrientes está quase terminado. Algumas bactérias amigas que moram na parede desse intestino ajudam a finalizar esse serviço.

A principal função do intestino grosso é absorver a água, nos hidratando. Feito isso, tudo o que tinha de bom em nosso prato de comida já foi processado e absorvido. Concluímos então que, a esse ponto, o que sobrou de tudo que ingerimos não terá utilidade para o nosso organismo e poderá ser eliminado. Está formado o cocô.

Essas excretas (o cocô) são então armazenadas no reto, que fica no final do intestino grosso, e podem ser eliminadas pelo ânus, a outra ponta do tubo digestivo.



Vários fatores podem atrapalhar a nossa digestão, desencadeando doenças nas diversas partes desse sistema. Falaremos dos problemas mais frequentes mais para frente (se tiver dúvida, envie perguntas através dos comentários).

Mas, de um modo geral, se conseguirmos manter uma alimentação balanceada (com carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais), sem excessos, e ingerirmos bastante água, estaremos ajudando nosso processo digestivo e, consequentemente, adquirindo energia para nos mantermos em pé!

Regra básica para uma boa digestão: evite os excessos!


Vídeos sugeridos para visualizar tudo o que foi explicado aqui:

Sistema digestório I
Sistema digestório II
Sistema digestório III


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Como funciona uma consulta médica?

Não é incomum a expectativa cheia de esperança que o paciente carrega antes da consulta médica se transformar em frustração após a mesma.
Isso ocorre porque alguma coisa não foi bem na relação médico-paciente. Pode ser uma questão de empatia, apenas. Mas normalmente isso acontece porque a comunicação, seja do paciente, do médico, ou de ambos, não foi boa: o paciente não conseguiu expor todas as suas queixas, o médico não pôde esclarecer todas as dúvidas, enfim, algo faltou e o tempo acabou.
É papel do médico saber conduzir a consulta com as perguntas que vão nortear seu raciocínio rumo ao diagnóstico aplicando a linguagem adequada para o entendimento do paciente.  Infelizmente, sabemos que isso nem sempre acontece, uma vez que não depende de uma técnica ensinada nas faculdades de medicina, mas sim de boa vontade e empenho de cada profissional.
Por isso acho legal o paciente entender como funciona - ou como deve funcionar - uma consulta médica. Se o paciente sabe basicamente como funciona o raciocínio médico, saberá quais são as informações importantes que deve saber transmitir durante a consulta e evitará gastar aquele precioso tempo divagando sobre questões irrelevantes do ponto de vista médico.
Veja, não penso que essa informação publicada aqui deve suprir a obrigação do médico em se esforçar para a boa relação médico-paciente, mas creio que vem em benefício do próprio paciente, que poderá estruturar melhor o que ele leva ao seu médico, em prol de uma boa consulta.

Em primeiro lugar, leve à consulta somente o necessário (isso inclui acompanhantes!). Leve exames antigos somente se estiverem relacionados à sua queixa. Outros exames, se forem importantes, o médico solicitará para que você leve no retorno, não se preocupe.
Toda boa consulta deve iniciar com uma boa conversa.
Essa conversa, chamada anamnese, nada mais é do que uma entrevista feita pelo médico e composta de algumas etapas. Para cada etapa, o médico deve esclarecer dúvidas para poder chegar às hipóteses diagnósticas.


Anamnese - Quais são as informações que seu médico precisa saber quando você vai à uma consulta:
v  Sobre você:
Ø  Como algumas doenças estão relacionadas à determinadas faixas etárias, ao tipo de trabalho, à vida sexual e ao estilo de vida, além do seu nome, é interessante saber a sua idade exata, se você é casado, solteiro, com o que trabalha e com o que já trabalhou, onde, como e com quem mora.
v  Sobre o que levou você ao médico agora:
Ø  Ele precisa saber exatamente o que o motivou a procurá-lo para aquela consulta: foi a dor de cabeça, a dor no pé, a diarréia ou aquela manchinha que apareceu no rosto? Essa é sua queixa principal, normalmente única, a que mais te incomoda. Informe seu médico há quanto tempo essa queixa começou.
§  Exemplo: "Estou aqui pois estou com dor no ombro direito há 1 semana".
v  Dê detalhes sobre a sua queixa principal:
Ø  Tente colocar os fatos em ordem cronológica (na sequência em que aconteceram). Isso facilita o raciocínio médico.
Ø  Quando começou, se foi de repente, se foi aos poucos, se houve algum fator que desencadeou, como um acidente.
Ø  Se você já teve quadro semelhante. Há quanto tempo? Foi igual? Como foi?
Ø  Se essa sua queixa vem acompanhada de algum outro sintoma.
Ø  Se a sua queixa for de dor, seja ela onde for, se concentre e pense bem nas características dessa dor. Evite dar informações vagas como "é uma dor doída". É importante seu médico saber: ela parece uma queimação, uma pontada, uma torção, um aperto? É forte ou fraca? Ela fica somente em um local ou ela vai se espalhando? Ela vai de onde para onde? Ela é constante ou ela vai e volta? Algo a faz melhorar? Algo a faz piorar? Quando ela aparece, vem acompanhada de algum outro sintoma?
§  Exemplo: "Estou com essa dor de cabeça há 1 mês. Ela começou de forma leve e foi se tornando mais forte. Percebo que é somente em uma parte da cabeça, mais do lado direito, como se estivesse latejando. Antes durava horas, agora já está durando quase 2 dias. Ela aparece pelo menos 1 vez por semana. às vezes vem acompanhada de náuseas. Piora com o som alto e melhora quando estou em ambiente escuro."
v  Sobre a sua saúde em geral:
Ø  Diga se há outras queixas que também o incomodam.
Ø  Informe quais doenças você já teve e já tratou.
Ø  Diga se ainda tem alguma doença (mesmo que ela esteja controlada!!!), por exemplo: hipertensão arterial, diabetes, depressão, HIV/Aids etc. Evite esconder doenças ou internações de seu médico, mesmo que aparentemente não tenham a ver com a doença de agora, pois isso pode atrapalhar e muito o diagnóstico e o tratamento. Tudo o que for dito em consulta está sob sigilo médico, ou seja, ficará somente entre vocês.
Ø  Informe quais medicamentos você usa. Anote tudo antes da consulta para não esquecer, ou então leve as receitas ou bulas. O médico precisará saber o nome do remédio, portanto, informações como "aquele comprimidinho amarelinho", não vão ajudar muito...
Ø  Informe como é sua alimentação, seu sono, se tem boa digestão, se seu intestino funciona bem, se a urina está normal.
Ø  Informe se tem emagrecido/engordado muito nos últimos meses.
Ø  Dê uma idéia para o médico de como você é emocionalmente (ansioso, deprimido, estressado).
Ø  Diga se já fez cirurgias, quando e para quê.
Ø  Diga se já sofreu algum acidente grave ou se já precisou de transfusão de sangue.
Ø  Diga se tem o hábito de fumar, de ingerir bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de droga (lembre do sigilo médico, ficará somente entre vocês dois e ajudará seu diagnóstico).
Ø  Se for mulher, desde quando menstrua, se já ficou grávida, se já teve aborto.
Ø  Diga se tem alergia de alguma coisa, seja alimento, produto ou medicamento.
v  Sobre a saúde da sua família:
Ø  Inclua aqui seus pais (mesmo se eles já faleceram), irmãos, avós. Lembre que marido, esposa, cunhado e sogros não são parentes de sangue e, portanto, as doenças deles não terão relevância para o seu médico.
Ø  Lembre se seus parentes de sangue têm alguma doença como pressão alta, diabetes, problema psiquiátrico, câncer, se já teve infarto etc.
Ø  Se algum deles já faleceu, se você sabe de quê (infarto, derrame etc) e com que idade.
v  Sobre sua vida social:
Ø  Informe onde você mora, se é uma região da cidade que tem água e esgoto tratados.
Ø  Como é sua situação financeira (assim ele saberá quais medicamentos poderá prescrever).
Ø  Como é sua relação com as pessoas (família, amigos, vizinhos).
Ø  O que você faz nas horas vagas.
Dependendo da especialidade do médico e do tipo da queixa principal do paciente, essa entrevista pode ser dirigida, ou seja, o médico pode esmiuçar mais alguns detalhes e menos outros.
Após a entrevista, chegou a hora do exame físico.
Basicamente, o médico fará um exame físico geral, onde ele avaliará o seu aspecto geral, peso, altura, hidratação e sinais vitais.
Medindo a pressão arterial no braço
Os sinais vitais são dados colhidos no exame do seu corpo que são importantíssimos, apesar de serem muito simples. São eles: temperatura, frequência cardíaca (quantas vezes o seu coração bate por minuto), frequência respiratória (quantas vezes você inspira e expira por minuto) e sua pressão arterial.
Após conseguir esses dados gerais, ele passa para examinar os diferentes segmentos do seu corpo.
Evite falar durante o exame físico. Boa parte dele consiste em observar os movimentos e sons naturais do corpo, o que pode ser prejudicado com a sua fala.
Para que ele não deixe passar nada no exame físico, em cada segmento examinado ele sempre deve seguir o seguinte roteiro:
v  Inspeção: antes de encostar a mão, ele olha, procurando por alterações visíveis, como mudança de cor e deformidades.

v  Palpação: depois de olhar, ele toca, sente se há alteração de temperatura, de textura, se há dor à compressão, toca as estruturas conhecidas do corpo para observar se há alteração perceptível, massas.

v  Percussão: essa é a hora em que a gente se transforma em um tambor. O médico, ao percutir (dar pequenas batidinhas) o pulmão ou a barriga, por exemplo, ele consegue perceber se lá dentro há líquido ou alguma massa, como um tumor, pela diferença do som. É igual quando batemos de leve em uma parede: dependendo do som, sabemos se aquela parte da parede é maciça ou se está oca, com uma bolha de ar. O princípio é o mesmo.

v  Ausculta: é para a ausculta que ele precisa daquele aparelhinho que todo médico tem (normalmente pendurado no pescoço), o estetoscópio. Esse aparelho amplia os sons internos do nosso corpo e permite que o médico observe se os sons da respiração, do coração e da barriga estão normais ou alterados.
Assim como a anamnese, dependendo da queixa do paciente e da especialidade do médico, ele pode focar o exame físico em alguma região do corpo. Algumas especialidades, como ginecologia, neurologia e ortopedia tem exames específicos para diagnosticar suas doenças.
Com uma anamnese e exame físico bem feitos, mais de 90% dos diagnósticos já podem ser feitos. Os exames de sangue, de imagem e outros só devem ser pedidos se o médico quiser tirar alguma dúvida, ou excluir alguma hipótese. Por essa razão esses exames são chamados de complementares, pois eles não são essenciais, somente complementam o raciocínio médico quando necessário.
Dessa forma, não ache ruim se o seu médico não pediu nenhum exame de sangue após a consulta. Você deve achar ruim se ele não conversou adequadamente com você ou não te examinou.
Por outro lado, os médicos atendem pacientes que, ao entrarem no consultório, apresentam como motivo da consulta: "Vim para o senhor pedir uma ressonância para ver meu joelho". Nunca faça isso! Agora você já sabe que se o médico precisar complementar o raciocínio para o diagnóstico ele pedirá o exame complementar mais indicado para o seu caso.
Se você está indo numa consulta de retorno, não se sinta ofendido se o médico não lembrar "de cabeça" sobre o seu caso. Ele provavelmente atende inúmeras pessoas, muitas com casos parecidos, mas com o tempo irá memorizar cada um. Claro que ele terá as anotações sobre você em sua ficha, mas seria legal, nesse caso, você fazer um pequeno (pequeno mesmo) resumo do seu caso para relembrá-lo antes de dizer se o tratamento foi bom ou ruim.
Tente criar essa boa conexão com seu médico para que você se sinta mais à vontade para tirar suas dúvidas. Sem essa conexão, normalmente a consulta termina quando as hipóteses diagnósticas estão feitas e o médico entrega à você o pedido de exames complementares ou a receita da medicação. É aí que você sai frustrado, cheio de dúvidas, sem saber o que tem e o que deve fazer.
Caso o médico não entre em detalhes, tente entender o que ele pensa que você tem. Pergunte!
Pergunte se além dos medicamentos prescritos, existe alguma recomendação dele à ser feita em termos de alimentação, atividade física.
Pergunte sempre se existem opções de tratamento que não envolvem medicamentos, para que você possa estudá-las.
Esclareça quais os sintomas que você deve observar que signifiquem que você deve entrar em contato imediato com ele ou com um serviço de emergência.
Por último, leia a receita antes de deixar o consultório e esclareça as dúvidas com relação ao nome dos medicamentos (pergunte se poderá comprar os genéricos), forma de uso e quantidade. Se ilegível, peça educadamente para ele reescrever.
Feito isso, siga as recomendações, mude o que precisa mudar. Pense que você não estará fazendo isso pelo seu médico, mas sim por você mesmo, pela sua saúde e bem estar.
O sucesso da sua melhora, no final das contas, dependerá mais de você do que de seu médico.

Se tiver dúvidas ou perguntas sobre a consulta médica, deixe um comentário abaixo. Pergunte!

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