quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Automedicação: vale a pena?

Mais um texto meu publicado no Indike, mostrando os riscos da automedicação.

Quem nunca tomou um comprimido indicado por um amigo para dor de qualquer coisa? Quem nunca viu um parente comprar um remédio na farmácia simplesmente porque aquele remédio curou o vizinho da gripe, ou ajudou a vizinha a emagrecer?

Fonte da imagem: link
Essas situações são mais frequentes do que imaginamos. E em muitas ocasiões passamos por elas e não nos damos conta pois já são consideradas normais em nossa rotina.

É chegada a hora de prestarmos mais atenção na automedicação. Ela não é inofensiva. Pelo contrário,pode trazer mais prejuízos do que simplesmente “se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”.
A indicação pode ser outra, a dose pode ser diferente, as pessoas são diferentes

Automedicação é quando alguém toma um remédio sem a prescrição de um profissional habilitado. Isso inclui os medicamentos indicados por familiares ou amigos. No Brasil, profissionais habilitados a prescrever medicamentos são somente médicos e dentistas, cada um em seu campo, obviamente. Por exemplo, sua mãe lhe indica um xarope para tosse, porque aquele xarope foi bom para ela a vida toda; sua mãe é uma pessoa experiente e esclarecida, no entanto, não é médica. Dessa forma, se você aceitar o conselho e tomar o xarope, está se automedicando, pois nem você, nem mesmo sua mãe sabem o motivo da sua tosse, se ela precisa realmente ser medicada e com o quê.

Quero deixar claro que mesmo pessoas vividas, inteligentes e experientes podem errar nesse sentido. Fazer um diagnóstico e indicar um remédio exige uma série de conhecimentos em cadeia. Nem sempre o mesmo sintoma é de uma mesma doença. Nem sempre aquele remédio que fez bem para aquele sintoma daquela vez fará bem agora. Assim como nem sempre o remédio que aliviou o outro será o mesmo que vai aliviar você. A indicação pode ser outra, a dose pode ser diferente, as pessoas são diferentes. Tudo isso deve ser entendido.

Vamos ao que interessa. Avaliei alguns estudos sobre o tema e selecionei, de forma geral, dois dos principais motivos de saúde que levam as pessoas a se automedicarem. Talvez você se identifique com alguns deles.

1. Sintomas nas vias aéreas: é quando muita gente fala “estou gripado”. Pode ser uma dor de garganta, tosse, uma crise de rinite ou um simples resfriado. Esses quadros podem ter muitas origens, mas normalmente são atribuídos à uma infecção viral ou uma crise alérgica. Na maior parte das vezes eles nem precisam ser medicados, pois se resolvem sozinhos em cerca de uma semana.

Muita gente quer logo um antibiótico para acabar logo com essa chatice. Calma!

  • Primeiro, antibiótico é coisa séria e só serve pra matar bactéria e fungo, ou seja, não mata vírus.
  • Segundo, existem uma série de classes de antibióticos e cada uma só mata uma classe específica de microorganismos – isso quando na dose correta!
  • Terceiro, se você tomar antibiótico de forma errada, além de poder sofrer de efeitos colaterais que não são legais, pode tormar os microorganismos ainda mais fortes e difíceis de serem tratados depois. Ou seja: nunca tome um antibiótico por conta própria!


2. Dores em geral, podendo ser dor de cabeça, dor nas costas, dor no corpo: preciso avisar a quem está habituado a sempre tomar um analgésico para dor de cabeça que existe uma dor de cabeça que se torna dependente do remédio. Ou seja, quanto mais você tomar, mais frequente ela vai ficar. Tome cuidado.

As dores no corpo já costumam ser medicadas com anti-inflamatórios. Esses são remédios também perigosos de serem tomados com constância e sem critérios, pois podem trazer uma série de efeitos colaterais horríveis (como úlcera no estômago ou problemas graves nos rins).

Os estudos mostram que muitos desses sintomas se resolveriam sozinhos e não precisariam de um remédio. Ou seja, as pessoas tomaram algo com risco e sem necessidade.

Fica claro que mesmo usar os remédios que sempre usamos para aliviar sintomas corriqueiros pode ser um desastre para nossa saúde.

Além disso tudo, um medicamento na dose errada pode intoxicar e matar. Um remédio mal usado pode mascarar alguns outros sintomas e retardar o diagnóstico de uma doença grave. Um remédio pode, em combinação com outro, ter efeito indesejável e inesperado (como diminuir a eficácia de um contraceptivo, por exemplo).

Lembro ainda que medicamentos fitoterápicos e naturais também são remédios, merecem respeito e não são isentos de efeitos colaterais. Eles também precisam ser indicados por alguém competente.
Em resumo: não se automedique para o seu próprio bem!

Ainda tem dúvidas??? Deixe um comentário abaixo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Como funciona nosso corpo: o sistema nervoso

Tenho tratado nosso corpo, aqui nesse blog, como se ele funcionasse como uma cidade muito bem organizada: tem seus trabalhadores, seu sistema de abastecimento de nutrientes, de coleta de lixo, de transporte etc.

Ainda faltam alguns sistemas importantes a serem esclarecidos, mas agora é a hora de falar de quem comanda tudo isso. O governo do nosso corpo!

Essa função de comando é do sistema nervoso - auxiliado também pelo sistema endócrino, sobre o qual falaremos depois.



O sistema nervoso é responsável, por exemplo, por fazer sua perna andar, você mastigar, seu músculo diafragma se movimentar para que você possa respirar, faz com que você veja e fale. Entre muitas outras atividades. Ele é composto basicamente pelo cérebro e pelos nervos e as células formadoras desse sistema são os neurônios.

Esquema de neurônios transmitindo impulsos nervosos
Fonte da imagem: link


Os neurônios são células com um formato diferenciado das demais, como de elas tivessem uma cabeça e uma cauda. A cauda de um se liga com a cabeça do outro e, através de liberação de substâncias químicas, elas se "conversam", enviando assim um comando umas às outras. Essa comunicação é chamada de sinapse nervosa.

Assim uma ordem direta do cérebro caminha em direção ao local de destino, que pode ser um órgão qualquer. Da mesma forma, estímulos que recebemos de fora - como um estímulo de dor, por exemplo - caminha em direção ao cérebro para posicioná-lo sobre o que nosso corpo anda sofrendo por aí.

Para ficar mais fácil de ser compreendido, esse governo pode ser dividido em 2, digamos assim.

O sistema nervoso central, que é composto pelo cérebro (também chamado de encéfalo), pela medula espinal. É o centro de comando. De lá saem todas as ordens importantes e lá devem chegar todos os estímulos para serem processados.


Sistema nervoso central
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Esquema que ilustra como o crânio e as meninges protegem o cérebro
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Ele é tão importante que é protegido por uma brilhante e eficiente carapaça óssea: o crânio protege muito bem o cérebro e a coluna vertebral protege a medula espinal.

Mas antes da proteção dura desses ossos, essas estruturas são envoltas por 3 membranas (como se estivesse embrulhado) lisas e úmidas que deslizam umas sobre as outras. São as meninges, que também têm a função de proteção e amortecimento. Entre as 2 membranas que ficam mais próximas ao cérebro está o líquido cefalorraquidiano, o famoso líquor.


O líquor, além de ser uma espécie de amortecedor líquido, ele também atua levando nutrientes e removendo resíduos do sistema nervoso central.



Imagine que do cérebro saia uma cauda, a medula espinal, que é responsável por conectar o centro de comando aos demais nervos do corpo, que atingem as partes mais longínquas do organismo. É como se fosse um conjunto de fios passando por dentro de um túnel. Por ser esse elo de conexão é que a medula é tão importante.

Esse esquema mostra como a medula se aloja dentro dos ossos da coluna vertebral e como dela saem os nervos que  caminham até nossas extremidades.
Fonte da imagem: link


A medula espinal se inicia na parte alta do pescoço, lá atrás, na nuca, saindo do cérebro, percorre nossas costas e termina pouco acima do bumbum. Quando passamos a mão pelas costas de alguém e sentimos os ossinhos das vértebras (ou da coluna vertebral), lá dentro está a importante medula.

Fonte da imagem: link
Sabendo disso, agora você entende porque em um acidente em que há a possibilidade de a vítima ter quebrado algum ossinho pequeno da coluna vertebral, seja ele do pescoço ou de qualquer parte das costas, não devemos movimentá-la. Imagine que um ossinho de uma vértebra do pescoço quebrou, mas ainda está posicionado em seu lugar, mantendo a medula lá dentro, bonitinha. Se você mexer e o fragmento quebrado desse ossinho se movimentar, poderá romper alguns fios - senão todos - da medula. Isso irá interromper imediatamente a comunicação do cérebro com determinada parte do corpo e essa vítima perderá algumas funções, podendo ficar paraplégica ou mesmo tetraplégica, dependendo de onde foi essa ruptura.


O sistema nervoso periférico, como o nome diz, é a continuação dos nervos a partir da medula e até a periferia do corpo, chegando até o dedão do pé.

Fonte da imagem: link


Os nervos são chamados de motores quando transportam os comandos do cérebro para as extremidades (músculos, pele e glândulas, por exemplo).

Os nervos são chamados de sensitivos quando transportam os impulsos no sentido contrário, como o estímulo de dor ou de calor, por exemplo.

Como funcionam os nervos motores e os sensitivos
Fonte da imagem: Livro Ciências Nosso Corpo, de Fernando Gewandsnadjder, Ed. Ática


Além dessa divisão, o sistema nervoso periférico pode ser dividido em voluntário ou autônomo.


  • O sistema nervoso voluntário, vai comandar as nossas ações voluntárias, ou seja, o que a gente decide se vai ou não fazer, por exemplo: andar, mastigar, mexer os dedos, virar a cabeça... Tudo o que você conseguir comandar em seu próprio corpo, comanda através do sistema nervoso voluntário.
  • O sistema nervoso autônomo tem sua própria autonomia, o que significa que ele não depende da nossa vontade. Esse sistema emite os impulsos que comandam os órgãos internos, por exemplo, ele manda seu coração bater, os movimentos peristálticos do seu sistema digestório, sua pressão arterial, sua temperatura, etc. Ele ainda é dividido em simpático e parassimpático, que têm ações opostas (exemplo: o simpático aumenta os batimentos do coração enquanto o parassimpático os diminui).


Fonte: link

Para ilustrar melhor toda essa complicação, segue uma sugestão de vídeo:

O sistema nervoso - parte 1
O sistema nervoso - parte 2
O sistema nervoso - parte 3




domingo, 12 de agosto de 2012

O que você precisa entender sobre o colesterol para se cuidar melhor

Esclarecimentos e orientações sobre o colesterol, o vilão do nosso tempo.

Texto inicialmente publicado no Blog do Indike.

Fala-se muito sobre um dos maiores vilões do nosso tempo, o colesterol. Mas ainda existem inúmeras dúvidas sobre ele (É bom? É ruim? Eu tenho? Como controlo??). Minha missão aqui é tentar esclarecer o máximo que eu puder. Para facilitar, vamos por partes.

Fonte: link


Primeiro: ele não é de todo mal. Sem ele nosso corpo padeceria, pois ele é necessário para constituir as membranas das células, proteger os nervos, sintetizar vitamina D, além de ser matéria prima para a produção de hormônios importantes como cortisol, testosterona e progesterona.

Segundo: todos nós temos – ou deveríamos ter – colesterol no nosso organismo.

Grande parte do colesterol que temos no corpo é produzido por nossas próprias células – nossa genética determina se produzimos muito ou pouco. Outra parte é proveniente daquilo que comemos. Dessa forma, quando alguém diz “Doutor, eu tenho colesterol”, ele está querendo dizer que tem colesterol em excesso, acima do limite normal.

Terceiro: não precisa estar acima do peso para que as taxas de colesterol estejam acima do limite. Magros também podem ter colesterol elevado!

O excesso de colesterol no sangue não dá sintomas, ou seja, se não for feito exame de sangue, a pessoa não saberá como estão suas taxas.

Quarto: as mais importantes sociedades de cardiologia recomendam que seja feito o exame de sangue para avaliar as taxas de colesterol a cada 5 anos a partir dos 20 anos de idade.

O exame de sangue solicitado pelo médico normalmente dosa o colesterol total e as suas frações. Vou explicar brevemente para que você entenda o conceito de colesterol bom e ruim.

O colesterol é uma molécula insolúvel no sangue. Sendo assim, quando você toma um sorvete de chocolate com chantilly, aquele colesterol absorvido por você precisa se ligar a outras moléculas transportadoras que o “carreguem”, transportando-o pelo sangue de um lado para outro. Dessa forma, o colesterol dosado no sangue está necessariamente ligado à alguma dessas substâncias. As mais importantes são o LDL e o HDL, justamente o que chamamos de colesterol ruim e colesterol bom.

· O LDL é chamado colesterol ruim porque, quando está em excesso,tende a depositar o colesterol nas artérias importantes, formando as famosas placas de aterosclerose, que podem levar à obstrução dos vasos sanguíneos e causar infartos do coração e AVCs (os chamados derrames cerebrais).

Esquema que demonstra a formação da placa de ateroma, pelo colesterol ruim.
Fonte: link


· O HDL é chamado de colesterol bom porque essa molécula tende a remover o colesterol das artérias, levando-o de volta ao fígado.

Então, levando em consideração que o colesterol total dosado no sangue inclui as taxas de colesterol bom, ruim e de outras moléculas, é importante que o colesterol ruim esteja baixo e o colesterol bom, alto, resultando num colesterol total nos limites normais.

Para fazer esse exame é preciso estar em 12 horas de jejum (podendo ingerir apenas água nesse período).

Quinto: o rótulo de vilão não é injusto, considerando que ele é um dos principais fatores de risco para as duas maiores causas de morte no mundo: infarto do miocárdio (o infarto do coração) e acidente vascular cerebral (o AVC).

Sexto: independente de sua idade e sexo, tome ações para controlar seu colesterol antes que seja tarde.
Os alimentos com gorduras saturadas aumentam o colesterol em até 15 a 25%. Assim, mesmo o colesterol sendo de origem animal, algumas fontes de origem vegetal (como as frituras em óleo, margarina cremosa, por exemplo) não contêm colesterol, mas podem aumentá-lo.

Sempre digo que não é preciso parar de comer. Como tudo na vida, equilíbrio é o segredo.

Evite carnes gordas, pele de frango, embutidos (presunto, salame, bacon). Coma mais peixes, frutas e vegetais ricos em fibras. Diminua a quantidade de gemas ingeridas por semana e lembre-se que a maionese é feita delas! Prefira grelhados às frituras. Prefira azeite de oliva à manteiga ou margarina. Prefira queijos mais brancos aos mais amarelos. Prefira leite desnatado ao leite integral. Prefira sorvetes de frutas aos sorvetes feitos com leite – e não os cubra com chantilly. 

Fonte:  http://4.bp.blogspot.com/__Mu2sfMvcl0/S9CEKQrErJI/AAAAAAAAAgA/V2Eu8QguPbY/s1600/alimentos_colesterol.jpg 


Além disso, fazer uma atividade física aeróbica (caminhada, corrida, patinação, natação) por 30 minutos por dia, 5 vezes por semana aumentam o colesterol bom e diminuem seu risco de infarto!

Pequenas ações podem fazer a diferença na sua saúde.

Sugestão de vídeo: clique aqui!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Como prevenir-se das hepatites virais


Texto publicado inicialmente no Blog do Indike, onde mantenho uma coluna mensal.

Hepatite significa inflamação no fígado. Toda inflamação acontece quando nosso corpo luta contra um agressor ou trauma, seja um corte, um espinho, uma substância tóxica ou um microorganismo.

Isso significa que, quando temos uma parte do nosso corpo inflamada, ela não funcionará direito pois estará ocupada tentando defender-se.  De forma bem simplista: imagine o canto da sua unha inflamado; ele pode inchar e doer tanto (são as células tentando resolver o problema) que pode impedir que o dedo realize suas funções.

O fígado executa inúmeras funções dentro de nós, por isso  ele é tão importante. Dentre outras coisas, ele processa um monte de substâncias que precisamos para viver, armazena as mais importantes, produz a bile que ajuda a digerir as gorduras e processa células velhas do sangue.

Imagine quantas consequências uma inflamaçâo desse órgão pode gerar?

Hepatite, portanto, é doença grave!

Grave e pode ter muitas causas. Por exemplo: abuso de bebidas alcoólicas ou de alguns medicamentos ou contaminação pelo vírus da hepatite.

As hepatites virais, além de serem mais conhecidas pela população, são consideradas um problema de saúde pública. Por serem causadas por vírus, são contagiosas! Mas calma, não se pega hepatite como se pega gripe. Cada tipo de vírus funciona de um jeito.

Existem vários tipos de vírus que podem causar hepatite. As mais comuns são A, B e C. Vamos à elas.
A hepatite A é mais comum em crianças e normalmente não é tão grave, pois o fígado consegue reagir bem a esse vírus e eliminá-lo rapidamente do organismo. Quando isso acontece significa cura, tudo volta ao normal.

Dizemos que nesses casos só existe a fase aguda da doença, que pode apresentar sintomas ou não. Os sintomas, quando aparecem podem se assemelhar a uma gripe. Pode dar enjôo, tontura, febre, vômitos. A pele e os olhos podem ficar amarelados e as fezes mais esbranquiçadas.

Uma pessoa pode se contaminar com esse vírus ao ingerir água ou alimentos contaminados com o vírus que outra pessoa contaminada eliminou nas fezes e foi parar em algum riacho. Por isso, para se prevenir contra hepatite A é importante lavar as mãos sempre antes de comer, lavar os alimentos que são comidos crus e somente beber água tratada filtrada ou fervida (lavar também, senão não resolve).

 Já as hepatites B e C são bem mais graves. Isso porque nem sempre o fígado consegue eliminar esses vírus. Quando isso acontece, depois da fase aguda da doença (assim como na hepatite A, pode não apresentar sintomas, ou muito pouco dos mesmos), o vírus pode ficar ali, quietinho, e provocar uma inflamação crônica, que pode durar anos e a pessoa pode levar muito tempo para descobrir que está doente. Nesse período ela poderá contaminar outras.





O vírus B e C ficam no sangue e é através do contato com sangue contaminado que pode-se pegar essas doenças.

Por conta disso, é recomendado que pessoas que transaram sem camisinha, que receberam transfusão de sangue antes de 1993 ou que compartilhou agulhas/seringas realizem solicitem ao médico o teste das hepatites.

Para se prevenir, fique atento:


·         Não transe sem camisinha (essa forma de contágio é muito comum para o vírus B, menos comum para o vírus C).
·         Não compartilhe agulhas, seringas ou equipamentos para drogas inaladas ou pipadas;
·         Não compartilhe lâminas de barbear ou de depilar.
·         Ao ir à manicure, leve seu próprio material (inclui alicate, afastadores de cutículas, lixa, palitos, toalhas). Se não tiver, providencie logo. Exija materiais esterilizados (aquele forninho tipo de esquentar pão não serve, tem que ser autoclave ou estufa!) ou descartáveis. Exija que as bacias de água sejam forradas com plásticos. 
·         Ao colocar um piercing, mesma coisa: exija materiais descartáveis e esterilizados.
·         Ao fazer uma tatuagem, além de todos esses cuidados, verifique também: a tinta a ser usada em cada pessoa deve ser separada e também descartada, ou seja, o tatuador não pode despejar o restinho que sobrou de novo no pote da tinta, entendeu? O vírus pode sobreviver na tinta e contaminar outros.






A hepatite B ainda pode ser transmitida de mãe para filho, no nascimento. O exame durante o pré-natal é muito importante.

Se a inflamação persite e torna-se crônica, pode evoluir para cirrose e até para câncer de fígado. Então, aquela história de que o fígado se regenera e que não precisa se preocupar com hepatite é pra boi dormir.

Além disso, é mais fácil se contaminar com um vírus de hepatite do que com o HIV. As formas de prevenção são as mesmas, por que não prevenir-se das 2?

Existe vacina para hepatite B. Veja se você pode vacinar-se: http://www.aids.gov.br/pagina/vacina-hepatites

O tratamento existe e pode curar, mas não é um tratamento fácil. Nesse caso, vale o jargão: Prevenir é o melhor remédio.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Como funciona a doação de sangue?

Texto inicialmente publicado no Blog do Indike, onde escrevo uma coluna mensal.


Dia 14 de junho é o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em sua campanha de 2012, a Organização Mundial da Saúde (OMS) traz o tema: “Todo doador de sangue é um herói”. Chamar o doador de sangue de herói não é exagero. Aqui no Brasil a doação de sangue é um ato voluntário e altruísta – e salva vidas. Isso é um ato heróico.

Doe sangue. Salve vida.
Cartaz de campanha da OMS para 2012


A OMS preconiza que de 1 a 3% da população entre 18 e 65 anos de cada país seja doadora voluntária de sangue para suprir as demandas locais. No Brasil temos 2% de doadores (a Europa tem 5%), mas precisamos de mais e mais fidelizados, ou seja, que façam da doação de sangue um hábito, pois no Brasil as doações ainda estão vinculadas a campanhas – que acontecem quando o estoque se sangue está baixo – , a catástrofes e a necessidades específicas de conhecidos ou familiares.

Em época de carnaval, férias e frio as doações caem, mas os doentes continuam precisando do sangue. Isso não é bom. Temos que pensar que precisamos manter os bancos de sangue SEMPRE abastecidos. Se houver uma catástrofe, não teremos sangue para os primeiros socorridos. Cirurgias importantes podem ser canceladas se os estoques de sangue não forem suficientes.

Então, como começar?

Se tiver entre 16 e 65 anos (menores de idade precisam de autorização), pesar mais de 50kg e se sentir saudável, procure o hemocentro mais perto de você levando um documento de identificação com foto. Você não deve pagar nada, doar sangue é grátis!


Deve-se parar de fumar 2 horas antes e não ingerir bebidas alcoólicas até 12 horas antes. Mulheres grávidas ou amamentando não podem doar, assim como pessoas em dietas rigorosas.
Não vá em jejum, para doar sangue você deve estar bem alimentado (mas se tiver feito uma refeição muito pesada, vale esperar 2 horas).

Primeiro será feito um furinho do seu dedo (não dói) para verificar se você tem anemia. Depois, serão medidas a pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura. Se estiver tudo bem, você será encaminhado para uma entrevista curta e objetiva. Nessa entrevista é essencial que você seja 100% honesto – explico depois. As informações fornecidas nessa entrevista são sigilosas.

O uso de alguns medicamentos, por exemplo, podem impedir a doação temporariamente. Cada caso receberá a orientação devida após a entrevista.

Continuando tudo certo, será feita a coleta do sangue. É puncionada uma veia no braço e colhida uma pequena quantidade de sangue para exames e depois, cerca de 450ml para a bolsa de sangue. Todo o material utilizado pelos bancos de sangue não oferecem risco para o doador. A quantidade doada também é calculada para não lhe fazer falta.

Depois da doação, será oferecido um pequeno lanche e você deverá aguardar alguns minutos para ser dispensado.

O sangue doado passará por uma série de exames antes de ser encaminhado para um doente. Serão feitos exames para detectar doenças infecciosas como AIDS, hepatite B e C, doença de Chagas e sífilis. No caso da AIDS são feitos 2 testes diferentes.

Agora eu explico porque é importantíssimo que você seja honesto durante a entrevista: por serem feitos esses exames, muita gente acha que ir doar sangue é uma forma de fazer um check up. Por exemplo: “Tenho transado sem camisinha mas não tenho coragem de contar para meu médico solicitar exames… Vou doar sangue!”. Esse tipo de comportamento é frequente mas coloca em risco as pessoas que receberão o sangue. Essa pessoa possivelmente não mencionará na entrevista que teve esse comportamento e, para algumas doenças (como a AIDS) existe um fenômeno que chamamos de “janela biológica”, ou seja, os testes não detectam a doença logo após a infecção, podendo levar alguns meses para a doença aparecer nos exames.
No Brasil, quem foi doar sangue para fazer um check up e não conseguiu ser honesto na entrevista ainda é possivel ser feita a auto-exclusão. Basta assinalar num papel, de forma confidencial, que quer que seu sangue seja descartado e não doado.

Doar sangue não vicia, não emagrece nem engorda, seu sangue não afina nem engrossa.Homens podem doar sangue a cada 3 meses e mulheres a cada 4 meses.

Que tal se tornar um herói em 2012? Doe sangue. Salve vidas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Exames de check up: quando ajudam e quando prejudicam??

Texto publicado inicialmente em minha coluna no Blog do Indike.


Nesse último mês de abril nove sociedades médicas americanas divulgaram uma lista de testes rotineiramente solicitados por médicos e que devem ser reduzidos. Isso foi resultado de uma campanha chamada “Choosing Wisely” (escolhendo sabiamente), que tem por objetivo diminuir gastos desnecessários com saúde nos EUA. O tema gerou repercussão no mundo, incluindo Brasil, pois traz uma reflexão à medicina atual, que tem se superespecializado e focado em exames complementares, muitas vezes esquecendo-se de olhar o principal: o paciente!


Os exames preventivos – conhecidos como exames de check up – são estimulados pelo governo e pelas empresas pois diminuem os gastos com a saúde uma vez que detectam doenças mais rapidamente e evitam os tratamentos mais onerosos. No entanto, tem havido por parte dos médicos e dos pacientes um exagero com relação à solicitação desses exames, o que pode estar gerando essa crise na saúde dos EUA, que não tardará a chegar ao Brasil.

Foi reconhecido finalmente que esse exagero pode trazer problemas não só financeiros, mas também à saúde das pessoas que são submetidas a exames desnecessários.

Dessa forma, é preciso que você fique atento à esse assunto: continua sendo sim muito importante que se detectem doenças precocemente, mas a melhor forma de se fazer isso é através de uma boa consulta médica – com um bom clínico ou médico de família – em que o médico possa ter conhecimento do histórico de saúde seu e de sua família, realizar um exame físico bem completo e então, após análise do seu perfil de idade, sexo, história familiar e eventuais queixas atuais, solicitar os exames mais indicados para o seu caso.
Muitos pacientes se sentem mais seguros quando realizam mais exames. Isso é um equívoco.

Alguns exames que são solicitados sem a indicação clínica podem trazer resultados falso-positivos, ou seja, indicar algo que não existe. Isso confunde o médico, que pode realizar tratamentos ou procedimentos em vão.

A prevenção deve ser individualizada e os exames sempre devem ser correlacionados com a clínica (histórico médico e condições atuais desse paciente). Essa conduta, além de ser menos onerosa para todos, traz melhores resultados para a saúde individual e, por consequência, coletiva.

Normalmente os exames preventivos visam detectar precocemente doenças cardiovasculares (como infarto, derrame, hipertensão, diabetes) e câncer, que são responsáveis pelo maior número de mortes no Brasil e no mundo.

Existem algumas diretrizes que norteiam os médicos a solicitarem os exames adequados a cada tipo de paciente. Cada sociedade médica faz a sua recomendação, mas é função do médico, após avaliar individualmente seu paciente, optar pelos exames mais adequados.

Sendo assim, o melhor check up que você pode fazer é encontrar um bom clínico e seguir suas recomendações. Se você for mulher, é indicado também que visite o ginecologista anualmente.

Por isso eu não colocarei aqui uma tabela com exames a serem solicitados por idade, como muitos leitores deveriam esperar.

Minha intenção é orientar o leitor para que não cheque o status de sua saúde apenas por exames laboratoriais ou de imagem. Você não é uma máquina! Além disso, estamos falando aqui de exames de diagnóstico precoce e, se formos pensar bem, para diagnosticarmos “algo”, esse “algo” já deve estar lá. O melhor dos mundos é esse tal “algo” nem aparecer!

Para isso você não deve se esquecer que o maior responsável pela manutenção da sua saúde é você mesmo e que as melhores e mais eficazes ações de prevenção deverão ser feitas por você, no dia a dia, como ser adepto de uma alimentação saudável, controlar o peso, praticar atividade física regularmente, evitar uso de bebidas alcoólicas, não fumar, usar filtro solar, dedicar um tempo do dia para medidas anti-stress, seja meditação, uma leitura relaxante, o que for melhor pra você.

Cuide-se, ame-se e terá vida longa!

domingo, 15 de abril de 2012

O que uma grávida precisa saber

Nesse texto, publicado no Blog do Indike, eu faço orientações para as gestantes.

Que gravidez não é doença todo mundo sabe. Mas é uma condição que traz alterações no corpo e na vida da mulher além de um monte de dúvidas.

A gestante pode seguir vida normal, devendo apenas tomar alguns cuidados, já que seu corpo não pertencerá somente a ela durante os meses da gravidez. É a primeira grande responsabilidade da maternidade! Ela não poderá mais fumar, beber bebidas alcoólicas, deverá aprender a manejar melhor situações estressantes e nunca tomar um medicamento sem a orientação do médico.


A demanda nutricional aumenta para abastecer também o filhote e a gestante deve ingerir somente alimentos de qualidade, evitar excessos, principalmente de açúcares, e controlar o peso (deve engordar de 9 a 13kg). Se ganhar mais ou menos peso, oferecerá mais riscos para o bebê.

É importante a mulher ter conhecimento de algumas das principais alterações normais do corpo durante a gravidez para que não se assuste quando percebê-las. Para monitorar todas essas mudanças, orientar e tomar providências necessárias para que o bebê se desenvolva bem é imprescindível o acompanhamento Pré Natal por um médico obstetra desde o início da gravidez. Ele poderá dizer se as alterações observadas estão dentro do esperado ou se a gestação é de risco e precisa de cuidados especiais.

Em geral o volume de sangue aumenta e ela passa a reter mais líquidos, o que pode provocar inchaço. A resistência dos vasos diminui para facilitar que o sangue chegue à nova vida. Isso pode diminuir um pouco a pressão arterial nos primeiros meses, dando a sensação de moleza.

Quando a barriga cresce as alterações tornam-se mais notáveis. A pele precisa ser constantemente hidratada para evitar a formação de estrias. Conforme o útero aumenta, desloca os órgãos internos para novas posições:

- Deslocando o estômago pode favorecer refluxo; deve-se então evitar deitar-se logo após comer. A digestão pode ficar um pouco mais lenta e pode-se ter constipação intestinal; comer mais fibras ajuda.
- Comprimindo a bexiga, aumentam as idas ao banheiro, que não devem ser postergadas.
- Também comprime a caixa torácica verticalmente, mas esta expande-se na horizontal, o que não prejudica a respiração, mas a modifica. A respiração também fica mais rápida para que possa dar conta da demanda de oxigênio. Esses fatores podem dar a sensação de falta de ar, queixa frequente nas mulheres no final da gravidez.

Nos últimos meses o inchaço nas pernas pode aumentar pois a barriga dificulta o retorno do sangue das pernas ao coração. O uso de meias compressivas ajuda a evitar o inchaço e varizes, assim como elevar as pernas sempre que puder dar uma relaxada.

Deitar-se de costas a partir do 7° mês pode ser desconfortável, também porque a barriga comprime o retorno do sangue, diminuindo a pressão arterial. O melhor a partir desse período é deitar-se sobre o lado esquerdo.

Para equilibrar-se em seu novo corpo a mulher muda sua postura, normalmente curvando-se para trás. Chegando próximo do parto, os ligamentos da bacia vão se afrouxando e esses fatores podem trazer uma dorzinha no final das costas que pode aliviar com exercícios aquáticos.

Não há evidências de que o repouso absoluto seja benéfico. Na verdade elas mostram que os efeitos psicológicos e sociais desse repouso podem trazer efeitos adversos. Dessa forma, se não houver indicação médica formal, a gestante deverá seguir sua rotina em casa e no trabalho normalmente.Para as gestantes sem história anterior de aborto não foi encontrado risco associado à atividade física durante a jornada de trabalho. São recomendados exercícios leves a moderados (30 min/dia), devendo ser evitados aqueles que ofereçam risco de queda ou trauma abdominal.

A atividade sexual também pode ser mantida sem medo até o final da gravidez.

Ao andar de carro, a mulher grávida não deve temer em colocar o cinto de segurança. Ele só deve ser posicionado corretamente: a faixa abdominal bem abaixo da barriga e a faixa diagonal deve passar sobre o ombro e descer pelo lado da barriga, nunca sobre o útero. Viagens aéreas geralmente são seguras para a grávida até 1 mês antes da data provável do parto.

Se tiver mais dúvidas, deixe um comentário abaixo.
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