terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Hanseníase ainda existe, mas tem tratamento e cura.

Muito já ouvimos falar sobre a lepra. Especialmente sobre o estigma dos leprosos em nossa história antiga, em como essas pessoas eram terrivelmente afastadas da sociedade por ignorância da época. Mas sei que muita gente imagina que já nos livramos dessa doença, que não devemos mais nos preocupar com ela. Engano. Saibam que hoje em dia o Brasil é campeão mundial em prevalência dessa doença e, por isso, precisamos nos informar um pouco sobre ela.

Hoje ela se chama hanseníase. Lepra, que significa manchas na pele, era um nome dado antigamente à algumas doenças de pele e, por conta dos avanços da ciência e descoberta das diferentes causas, o nome caiu em desuso.

A hanseníase é uma doença causada por uma bactéria que gosta das áreas mais frias do corpo. Por isso, ela atinge principalmente a pele e nervos de regiões mais periféricas do corpo como mãos, pés, olhos, orelhas, nariz, braços e pernas. Mas pode eventualmente afetar outros órgãos.

É uma doença contagiosa, ou seja, passa de pessoa para pessoa. A transmissão acontece de uma pessoa contaminada para outra através do ar, de gotículas de saliva, parecido com a gripe. Mas essa bactéria não é tão poderosa e o contágio não é tão fácil. Para uma pessoa ser contaminada é preciso haver um contato mais íntimo (tipo morar na mesma casa) e prolongado, piorando se houver pouca ventilação. Ainda assim, nem todas as pessoas que se contaminam desenvolvem a doença, pois, uma vez que a bactéria entra no corpo, ela trava uma batalha com o sistema imunológico. Se nossas defesas ganham, não ficamos doentes. Se a bactéria ganha, adoecemos.

Esse período entre o contágio e os sintomas pode durar de meses até cinco anos. É uma longa batalha. As pessoas mais suscetíveis à desenvolver a doença são, obviamente, as pessoas com menor resistência imunológica. Por conta disso a hanseníase é mais comum em pessoas de classe social mais baixa, por conta de más condições nutricionais e sociais. Mas é importante deixar claro que essa doença pode acometer qualquer pessoa independente de classe social, desde que a pessoa seja suscetível à bactéria.

E como suspeitar da hanseníase? Normalmente os primeiros sintomas são manchas de cor parda, esbranquiçadas ou avermelhadas, às vezes pouco visíveis. Podem parecer micose de praia, mas, como a hanseníase compromete os nervos, no local dessas manchas pode haver a sensação de formigamento, podem ficar dormentes, sem sensibilidade à dor, ao calor, ao frio e ao toque. Não há coceira, mas alteração da sensibilidade. Por isso muitos pensam que a antiga lepra faz com que as extremidades se deformem ou “caiam”. O que acontece na verdade é: como as lesões diminuem a sensibilidade, a pessoa pode se machucar sem perceber e, por isso, sofrer ferimentos graves.

Também no local das manchas pode-se perder os pelos e diminuir a transpiração, tudo por causa da alteração nervosa. Em formas mais graves da doença pode haver deformidade dos membros por retração muscular ou formação de nódulos sob a pele.

A boa notícia é que a hanseníase tem tratamento e cura. Se suspeitar de alguma lesão de pele com alteração ao toque, procure um médico. Pode ser um clínico ou dermatologista. O diagnóstico não é difícil e o tratamento é feito com antibióticos e pode durar de seis meses à um ano. O SUS oferece diagnóstico e tratamento gratuito para todos.

Logo após o início do tratamento a pessoa já deixa de transmitir a doença. Ela não precisa ser internada pois o tratamento é ambulatorial. Ela pode manter vida normal, não precisa afastar-se do trabalho nem do convívio familiar. Pode continuar mantendo relações sexuais com seu parceiro. A gravidez e o aleitamento não impedem o tratamento, que é seguro para mãe e bebê.

Toda pessoa que tem contato próximo com doente de hanseníase deve também ser examinada por um médico e pode ser orientada a receber a vacina BCG para aumentar a sua proteção contra a doença.

Esse foi mais um texto da minha coluna do Indike.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Saiba quando o álcool pode ser ruim para você.

Texto meu inicialmente publicado no Indike.

O álcool está sempre na moda. Às vezes como vilão, outras como mocinho. Isso até nos confunde. Mas o fato é que, na dúvida, ele está sempre em nossas mesas.

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Seu consumo é permitido e até mesmo incentivado pela sociedade. Por esse motivo, mesmo quem não bebe convive com ele através de um familiar ou conhecido.

Cada um tem uma relação velada com ele. Para alguns ele é um destruidor de lares. Para outros, apenas um facilitador de relações sociais. Às vezes, uma fuga, outras, prazer. Pode ser um carinhoso ombro amigo nos dias difíceis. Ou paixão destruidora. Secretamente ninguém sabe exatamente como nos relacionamos com ele. Mas sempre demonstramos que nossa relação é inocente e com a melhor das intenções.

Mas você consegue saber ao certo qual a relação que você e o álcool estabeleceram? Será que bebo muito ou é só implicância dos demais? Quanto de álcool tenho que beber para que seja realmente prejudicial? Vamos tentar trazer essas informações para a vida prática da pessoa comum: nós.

O álcool é uma droga que age no sistema nervoso e produz alterações de comportamento, humor e cognição. Por isso, devemos estar atentos à dose que nosso corpo consegue metabolizar sem trazer efeitos ruins. Essa dose varia conforme características pessoais (sexo, peso etc), portanto, não é fixa.

No geral para os homens esse limite é de 2 taças de vinho (90 mL cada) ou 1 lata de cerveja ou 1 dose de 50mL de destilados. Por dia! Para as mulheres o limite é menor.

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Quem bebe mais do que isso tem funções neurológicas alteradas que trazem problemas à saúde e à sociedade, pois perde o domínio sobre seu comportamento, mesmo achando que não. Isso predispõe malefícios a curto prazo como acidentes de trânsito, baixo desempenho sexual e intelectual, atos de vandalismo. É chamado uso nocivo do álcool. Se continuado pode levar a tolerância e dependência.

A tolerância está instalada quando é preciso uma dose maior de álcool para causar um mesmo efeito (quando ele demora mais pra ficar bêbado, digamos assim). Já a dependência acontece quando a pessoa começa a sentir falta da bebida, quando está sem tomá-la há alguns dias.

A OMS diz que, para se avaliar o real impacto do álcool, não basta medir o quanto as pessoas bebem, mas sim saber qual seu padrão de consumo. Isso implica considerar o quanto se bebe por ocasião, se bebe-se mais em eventos festivos ou no dia-a-dia, em quantos eventos com bebidas o cidadão fica bêbado, se o álcool só acompanha refeições ou se bebe-se mais em espaços públicos.

O padrão de consumo de álcool no Brasil mostra que os jovens são pouco abstinentes e costumam beber ocasionalmente, tornando-se bebedores semanais em poucos anos. Como os jovens são estimulados a beber semanalmente para socialização em festas e com descontrole de quantidade, eles sofrem os efeitos do uso nocivo, sendo mais sujeitos a brigas, acidentes, constrangimentos e ressaca.

Com o aumento da idade, a quantidade de bebedores ocasionais diminui, e aumenta o número de abstêmios e dos bebedores muito frequentes. Ou seja, uma parcela para de beber, possivelmente por ter mais segurança para as relações interpessoais e até para evitar os chatos efeitos do uso nocivo. Mas outra parcela passa a beber todos os dias. Essas são aquelas pessoas que cultivaram o hábito de beber todos os dias (ou quase), primeiro em eventos, depois por prazer, que dificilmente se limitam a tomar 2 cálices de vinho ou 1 latinha de cerveja ao dia e que, por isso, vão silenciosamente desenvolvendo tolerância e dependência.

É comum esse bebedor negar sua condição de risco e encontrar desculpas para justificar cada dose. Alguns até pensam ser essa forma de consumo "mais saudável" pois normalmente bebe-se em casa e os porres não são frequentes como nos adolescentes. É certo que são padrões diferentes de consumo, com riscos a curto prazo também diferentes, mas o prejuízo é certo - e nada saudável.

Para derrubar esse mito, explico: o álcool é metabolizado pelo fígado, que tem capacidade limitada (lembre da dose que mencionei no início). A substância intermediária formada durante esse processo é o acetaldeído, que é muito mais tóxica para o fígado e para o organismo do que o próprio álcool. Assim, quando o uso do álcool é diário e acima da quantidade que o fígado consegue eliminar, o acetaldeído se acumula lesando fígado e outros órgãos. Quem bebe todos os dias não dá tempo para o fígado se regenerar, mesmo que não fique bêbado.

Esse bebedor frequente costuma passar despercebido, pois dificilmente fica bêbado. Mas ele merece atenção não só pelos problemas de saúde que ele certamente irá desenvolver (podendo ser hipertensão, cirrose, câncer, problemas cardiovasculares, neuropatias, entre outros) e onerar nosso sistema de saúde, mas também pelos infortúnios que pode trazer à quem convive.

Como reconhecer um bebedor muito frequente e diferenciá-lo de um bebedor ocasional?

Um bebedor ocasional sabe limitar as situações em que bebe. Bebe num jantar, mas passa vários outros sem precisar da bebida. Sabe se divertir em situações de abstinência.

O bebedor muito frequente já começa a restringir seu prazer ao beber. Essa pessoa vai tornando-se menos interessante aos que convivem com ela. Começa a pensar em beber nas mais variadas ocasiões. Não consegue imaginar um momento de divertimento sem que o álcool esteja presente.

O álcool prejudica a memória, o raciocínio, o sono e o humor. Diminui a libido, prejudicando a vida sexual. A pessoa vai se transformando em outra e, apesar dos sinais dos familiares, não se dá conta.

Veja que há diversos padrões de bebedores, cada um com suas implicações. Em qual você se encaixa? Para qual caminho você está indo? Saiba que todos vão apresentar problemas de saúde e problemas sociais se não restringirem seu consumo à um padrão fisiologicamente e socialmente adequado.

Repense seu padrão de consumo se já se viu em uma dessas situações:
  • já perdeu o controle de si mesmo por conta do álcool 
  • já sentiu que deveria diminuir a bebida 
  • as pessoas já o irritaram quando criticaram sua bebida 
  • já se sentiu mal ou culpado por conta da bebida 
  • já bebeu pela manhã para “aquecer” ou para se livrar de uma ressaca
Assista o vídeo aqui.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Entenda a audição e aprenda a conservá-la

Texto meu, inicialmente publicado no Indike.

Nossos 5 sentidos (audição, visão, tato, paladar e olfato) são de extrema importância, pois têm a função de nos conectar com o mundo externo. Se um deles não funciona bem, o contato com pessoas e coisas fica muito dificultado.

Surdez é a deficiência do sentido da audição, aquele que nos conecta com o mundo através dos sons.

Link desta imagem


Um indivíduo pode nascer com essa deficiência, o que atrapalha no aprendizado da linguagem, pois ele não pode reproduzir sons que ele não ouve. Mas ele pode também perder parte ou toda a audição durante a vida, por isso as orientações de prevenção são importantes.

O que vai determinar o quanto a conexão com o mundo vai ficar dificultada é o quanto o indivíduo ouve. Ao contrário do que muitos pensam, a surdez não é mensurada por porcentagens, mas sim por decibéis, a unidade que mede a intensidade dos sons. Quanto mais decibéis, mais alto é um ruído. Por exemplo: um caminhão daqueles bem barulhentos emite sons de mais de 100 decibéis (dB), um latido de cachorro fica por volta de 70dB e o quase silencioso balançar das folhas de uma árvore, em torno de 10dB. Assim, se uma pessoa tem uma perda auditiva leve (25 a 40dB), ela não conseguirá ouvir o som das folhas ao vento, de uma torneira pingando ou um cochicho e poderá ser difícil reconhecer o som de algumas consoantes (como V, F, Z e S), mas ela será capaz de ouvir o telefone tocar e um carro se aproximar.

A surdez começa a atrapalhar mais a rotina quando a pessoa passa a não perceber o som da fala humana normal, que fica em torno de 60dB. Uma pessoa com perda auditiva moderada normalmente só consegue participar de uma conversa quando o outro grita. A comunicação fica muito limitada.Ainda há casos mais graves, chamados de perda auditiva severa (só se escutam sons altíssimos) e profunda (não se ouve nada).

Para ouvirmos bem um som, independente da sua intensidade, nossa orelha precisa captar a vibração do ar (o som nada mais é do que uma vibração) e conduzi-la ao cérebro, que irá interpretá-la como o som que reconhecemos, seja uma música, uma palavra ou um bebê chorando.

A nossa orelha tem esse formato externo para facilitar a captação dessas vibrações. O som então percorre um canal da orelha até o tímpano, uma membrana muito fina. Essa membrana vibra como um tambor e movimenta pequenos ossinhos que ampliam essa vibração e a encaminham à uma estrutura em caracol que contém cílios em suas paredes e líquido em seu interior. O líquido logicamente também vibrará e movimentará os cílios que estão ali imersos. Esses cílios contém células nervosas que interpretam esse movimento e o transformam em energia elétrica, que percorrerá os nervos auditivos até o cérebro. Assim, ouvimos.

Esquema do aparelho auditivo. Link desta imagem.


Problemas em qualquer parte desse percurso gera a surdez, leve ou severa. Assim, existem várias causas. Se o problema for no caminho percorrido até o caracol, chamamos de surdez de condução. Se o problema for na percepção do som a partir do caracol, chamamos de surdez neurossensorial.

A surdez de condução pode acontecer, por exemplo, quando há excesso de cera no canal auditivo formando um obstáculo à passagem do som. É importante saber que a cera é normal e nos protege , não devendo ser considerada uma sujeira que precisa ser eliminada desesperadamente com cotonete. Só devemos retirar a cera que sai da orelha, ficando visível. Se enfiamos um “cotonete” no conduto, além de empurrarmos a cera lá pra dentro, podendo formar uma rolha, podemos ainda machucar nosso tubo condutor, provocando uma inflamação que também prejudicará a audição.

As otites são inflamações que podem ocorrer nas diversas partes da orelha, provocando inchaço das estruturas ou acúmulo de pus, podendo diminuir a audição. Por isso elas precisam ser tratadas por um médico.

Essas células podem ser afetadas também por vírus, medicamentos, tumores, ou por exposição a níveis de ruídos excessivos durante a vida. Esses ruídos podem vir de uma vida desregrada, como ouvir música muito alta durante muitos anos, ou por motivos profissionais, quando um indivíduo trabalha sem proteção em um local com ruído intenso por muitas horas e muitos anos. Para prevenir, basta ouvir música em volume normal e usar os equipamentos de proteção oferecidos pela empresa.Mas a perda auditiva neurossensorial é a mais comum e acontece quando as células nervosas são afetadas ou morrem. Pode acontecer por conta do envelhecimento, a partir dos 50 anos, mas depende da genética, de otites e doenças anteriores e de barulhos durante a vida.

Grande parte das perdas auditivas tem cura ou tratamento para ajudar a restaurar parte da audição (como os aparelhos auditivos). Dessa forma, sempre que notar algo errado com a audição, procure um otorrinolaringologista logo no início. Ainda melhor: não cutuque a orelha, diminua o volume das músicas que você ouve todo dia e siga as orientações de proteção da empresa.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Obesidade e pressão arterial


Entenda como a obesidade pode levar a aumento da pressão arterial e problemas no coração:


Sabemos que para estarmos vivos o coração deve ter força suficiente para bombear o sangue até as nossas células mais distantes (mais detalhes aqui). Fica fácil imaginar que em uma pessoa obesa as células mais distantes estão muito mais longe do coração do que em uma pessoa não obesa.


Como os vasos sanguíneos vão se ramificando e se estreitando com a distância, quanto mais longe do coração, mais estreitos eles são. Isso gera uma maior resistência à passagem do sangue.


Vamos fazer uma analogia com uma mangueira de água: se apertamos a mangueira em algum ponto, a passagem de água se torna mais estreita e oferece maior resistência. Nossas artérias funcionam do mesmo jeito.


Além disso, algumas substâncias produzidas pelo excesso de gordura provocam quimicamente também uma maior resistência dos vasos. Esse aumento de resistência à passagem do sangue gera o aumento da pressão arterial, que nada mais é do que a pressão que o sangue exerce na parede das artérias (ele a empurra com mais força, digamos assim).

O coração, por sua vez, deverá ter força para vencer essa pressão maior. Com isso ele vai ficando mais musculoso ao longo dos anos. Ao contrário do que parece, isso não é bom, pois aumenta o risco de infarto, derrame e insuficiência cardíaca.

Em outra postagem poderemos falar mais detalhadamente sobre todos esses problemas.



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Saiba quanta água você precisa e porque ela é tão importante.

Segue outro texto meu publicado no Indike esclarecendo a importância da água para a saúde.

Fonte: link
Todos já sabem que a maior parte do nosso corpo é formada por água. Basta imaginar que ele é um amontoado de células e que células, além de serem recheadas de água, gostam de viver mergulhadas em meio aquoso. A água é o meio onde as reações químicas para sobrevivência acontecem. Sem ela, tudo para.

Além de formar os tijolos e a argamassa para nos dar estrutura, a água ainda participa de atividades essenciais para a vida. Ela transporta os nutrientes até as células, recolhe os resíduos e encaminham para os órgãos encarregados de eliminá-los, lubrifica as articulações, ajuda a dar mais elasticidade à nossa pele, participa da regulação da temperatura corporal, forma o líquido que protege o cérebro e a medula espinal e ainda evita que tenhamos ou intestino preso. Tem muito mais, mas creio que com os exemplos acima já ficou clara a importância que esse líquido tem em nossa vida.

Para que nenhuma dessas atividades pare, devemos nos abastecer de água constantemente. O fato é que no dia a dia, seja pela correria do trabalho ou por pura falta de gosto, é difícil encontrarmos quem tome água suficiente direitinho.

Não gosto de contar quantos copos de água devemos tomar por dia. Esses números podem servir para alguns, mas não somos máquinas. Cada organismo funciona de forma diferente do outro, uns se exercitam mais, outros menos, uns vivem em ambientes mais quentes, outros menos, uns se alimentam de forma adequada, outros não. E isso tudo influencia na quantidade de água que devemos tomar por dia.

Na verdade, não há um consenso sobre a quantidade exata de água que cada ser deve ingerir. Sabe-se que um homem de porte médio, que vive num clima temperado (não é o caso do calorento Brasil) e se alimenta de forma saudável (saudável!!) deve ingerir ao menos 3 litros de água por dia.

Trazendo essa informação pra nossa realidade, podemos inferir que, se vivemos num clima mais quente, se fazemos algum tipo de exercício, se estamos um pouco acima do peso ou se não nos alimentamos com tantas frutas e verduras assim, deveremos nos esforçar para tomar mais do que 3 litros de água ao longo de um dia.
Nós perdemos a água do corpo através da transpiração, urina, fezes e até da respiração. Ou seja, se hoje está mais calor que o normal, devo tomar mais água que o normal

Quem passa o dia todo em um ambiente com ar condicionado – ele retira a umidade do ar – também pode precisar tomar uns goles a mais.

Se for praticar exercícios, tome um pouco de água antes, durante e depois da prática. Quanto mais extenuante o exercício for, mais água requisitará. Distribua a água pelo seu dia, não tome tudo de uma vez.

Quando estamos doentes, também podemos precisar de mais água que o habitual. Se estamos com febre, transpiramos mais, se estamos com diarreia ou vômitos, mais água se vai. Uma mulher que está grávida ou amamentando também deve hidratar-se mais que o habitual. Por outro lado, há algumas doenças em que o médico pode solicitar que o paciente reduza a quantidade de água a ser ingerida, como em alguns casos de insuficiência cardíaca ou renal. Nesses casos, a orientação do médico deve ser respeitada.

Quem tem uma dieta saudável obtém mais ou menos 20% da água que precisa para o dia diretamente dos alimentos. Tomate, melão e melancia são alguns exemplos de alimentos que contêm bastante água. Se você não se alimenta tão bem assim, ou se sua dieta costuma conter muitos embutidos e muito sal, deve tomar mais que os três litros.

Tem muita gente que acha que líquido é líquido e que, por exemplo, não toma água e toma Coca Cola. Não é a mesma coisa… Bebidas como alguns refrigerantes e sucos artificiais podem contém água, sim, mas normalmente contêm muitos sais e podem não hidratar tão bem. As bebidas alcoólicas também têm água em sua composição, mas elas têm efeito diurético, que faz com que eliminemos mais água através da urina. Também não ajuda, certo?

Não tem nada melhor que água – sempre filtrada ou fervida! É livre de calorias, barata e tem em qualquer lugar. Se sua boca estiver seca ou se sua urina estiver mais escura significa que você precisa de água. Se estiver com sede, óbvio! Cansaço e dor de cabeça também podem ser sinais de desidratação leve.

Como lembrar da água na rotina louca? Leve uma garrafa de água para a mesa de trabalho. Toda vez que olhar para ela, dê um gole, mesmo não estando com sede. Se não for possível, faça alguma marcação em algum local visível – serve colar um adesivo – que te lembre de buscar um copo de água com regularidade. Com alguns dias isso já se tornará rotina.

A melhor dica que eu posso dar é: conheça seu ambiente, sua rotina e seu corpo. Só assim você saberá o quanta água é necessária pra você.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Automedicação: vale a pena?

Mais um texto meu publicado no Indike, mostrando os riscos da automedicação.

Quem nunca tomou um comprimido indicado por um amigo para dor de qualquer coisa? Quem nunca viu um parente comprar um remédio na farmácia simplesmente porque aquele remédio curou o vizinho da gripe, ou ajudou a vizinha a emagrecer?

Fonte da imagem: link
Essas situações são mais frequentes do que imaginamos. E em muitas ocasiões passamos por elas e não nos damos conta pois já são consideradas normais em nossa rotina.

É chegada a hora de prestarmos mais atenção na automedicação. Ela não é inofensiva. Pelo contrário,pode trazer mais prejuízos do que simplesmente “se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”.
A indicação pode ser outra, a dose pode ser diferente, as pessoas são diferentes

Automedicação é quando alguém toma um remédio sem a prescrição de um profissional habilitado. Isso inclui os medicamentos indicados por familiares ou amigos. No Brasil, profissionais habilitados a prescrever medicamentos são somente médicos e dentistas, cada um em seu campo, obviamente. Por exemplo, sua mãe lhe indica um xarope para tosse, porque aquele xarope foi bom para ela a vida toda; sua mãe é uma pessoa experiente e esclarecida, no entanto, não é médica. Dessa forma, se você aceitar o conselho e tomar o xarope, está se automedicando, pois nem você, nem mesmo sua mãe sabem o motivo da sua tosse, se ela precisa realmente ser medicada e com o quê.

Quero deixar claro que mesmo pessoas vividas, inteligentes e experientes podem errar nesse sentido. Fazer um diagnóstico e indicar um remédio exige uma série de conhecimentos em cadeia. Nem sempre o mesmo sintoma é de uma mesma doença. Nem sempre aquele remédio que fez bem para aquele sintoma daquela vez fará bem agora. Assim como nem sempre o remédio que aliviou o outro será o mesmo que vai aliviar você. A indicação pode ser outra, a dose pode ser diferente, as pessoas são diferentes. Tudo isso deve ser entendido.

Vamos ao que interessa. Avaliei alguns estudos sobre o tema e selecionei, de forma geral, dois dos principais motivos de saúde que levam as pessoas a se automedicarem. Talvez você se identifique com alguns deles.

1. Sintomas nas vias aéreas: é quando muita gente fala “estou gripado”. Pode ser uma dor de garganta, tosse, uma crise de rinite ou um simples resfriado. Esses quadros podem ter muitas origens, mas normalmente são atribuídos à uma infecção viral ou uma crise alérgica. Na maior parte das vezes eles nem precisam ser medicados, pois se resolvem sozinhos em cerca de uma semana.

Muita gente quer logo um antibiótico para acabar logo com essa chatice. Calma!

  • Primeiro, antibiótico é coisa séria e só serve pra matar bactéria e fungo, ou seja, não mata vírus.
  • Segundo, existem uma série de classes de antibióticos e cada uma só mata uma classe específica de microorganismos – isso quando na dose correta!
  • Terceiro, se você tomar antibiótico de forma errada, além de poder sofrer de efeitos colaterais que não são legais, pode tormar os microorganismos ainda mais fortes e difíceis de serem tratados depois. Ou seja: nunca tome um antibiótico por conta própria!


2. Dores em geral, podendo ser dor de cabeça, dor nas costas, dor no corpo: preciso avisar a quem está habituado a sempre tomar um analgésico para dor de cabeça que existe uma dor de cabeça que se torna dependente do remédio. Ou seja, quanto mais você tomar, mais frequente ela vai ficar. Tome cuidado.

As dores no corpo já costumam ser medicadas com anti-inflamatórios. Esses são remédios também perigosos de serem tomados com constância e sem critérios, pois podem trazer uma série de efeitos colaterais horríveis (como úlcera no estômago ou problemas graves nos rins).

Os estudos mostram que muitos desses sintomas se resolveriam sozinhos e não precisariam de um remédio. Ou seja, as pessoas tomaram algo com risco e sem necessidade.

Fica claro que mesmo usar os remédios que sempre usamos para aliviar sintomas corriqueiros pode ser um desastre para nossa saúde.

Além disso tudo, um medicamento na dose errada pode intoxicar e matar. Um remédio mal usado pode mascarar alguns outros sintomas e retardar o diagnóstico de uma doença grave. Um remédio pode, em combinação com outro, ter efeito indesejável e inesperado (como diminuir a eficácia de um contraceptivo, por exemplo).

Lembro ainda que medicamentos fitoterápicos e naturais também são remédios, merecem respeito e não são isentos de efeitos colaterais. Eles também precisam ser indicados por alguém competente.
Em resumo: não se automedique para o seu próprio bem!

Ainda tem dúvidas??? Deixe um comentário abaixo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Como funciona nosso corpo: o sistema nervoso

Tenho tratado nosso corpo, aqui nesse blog, como se ele funcionasse como uma cidade muito bem organizada: tem seus trabalhadores, seu sistema de abastecimento de nutrientes, de coleta de lixo, de transporte etc.

Ainda faltam alguns sistemas importantes a serem esclarecidos, mas agora é a hora de falar de quem comanda tudo isso. O governo do nosso corpo!

Essa função de comando é do sistema nervoso - auxiliado também pelo sistema endócrino, sobre o qual falaremos depois.



O sistema nervoso é responsável, por exemplo, por fazer sua perna andar, você mastigar, seu músculo diafragma se movimentar para que você possa respirar, faz com que você veja e fale. Entre muitas outras atividades. Ele é composto basicamente pelo cérebro e pelos nervos e as células formadoras desse sistema são os neurônios.

Esquema de neurônios transmitindo impulsos nervosos
Fonte da imagem: link


Os neurônios são células com um formato diferenciado das demais, como de elas tivessem uma cabeça e uma cauda. A cauda de um se liga com a cabeça do outro e, através de liberação de substâncias químicas, elas se "conversam", enviando assim um comando umas às outras. Essa comunicação é chamada de sinapse nervosa.

Assim uma ordem direta do cérebro caminha em direção ao local de destino, que pode ser um órgão qualquer. Da mesma forma, estímulos que recebemos de fora - como um estímulo de dor, por exemplo - caminha em direção ao cérebro para posicioná-lo sobre o que nosso corpo anda sofrendo por aí.

Para ficar mais fácil de ser compreendido, esse governo pode ser dividido em 2, digamos assim.

O sistema nervoso central, que é composto pelo cérebro (também chamado de encéfalo), pela medula espinal. É o centro de comando. De lá saem todas as ordens importantes e lá devem chegar todos os estímulos para serem processados.


Sistema nervoso central
Fonte da imagem: link


Esquema que ilustra como o crânio e as meninges protegem o cérebro
Fonte da imagem: link
Ele é tão importante que é protegido por uma brilhante e eficiente carapaça óssea: o crânio protege muito bem o cérebro e a coluna vertebral protege a medula espinal.

Mas antes da proteção dura desses ossos, essas estruturas são envoltas por 3 membranas (como se estivesse embrulhado) lisas e úmidas que deslizam umas sobre as outras. São as meninges, que também têm a função de proteção e amortecimento. Entre as 2 membranas que ficam mais próximas ao cérebro está o líquido cefalorraquidiano, o famoso líquor.


O líquor, além de ser uma espécie de amortecedor líquido, ele também atua levando nutrientes e removendo resíduos do sistema nervoso central.



Imagine que do cérebro saia uma cauda, a medula espinal, que é responsável por conectar o centro de comando aos demais nervos do corpo, que atingem as partes mais longínquas do organismo. É como se fosse um conjunto de fios passando por dentro de um túnel. Por ser esse elo de conexão é que a medula é tão importante.

Esse esquema mostra como a medula se aloja dentro dos ossos da coluna vertebral e como dela saem os nervos que  caminham até nossas extremidades.
Fonte da imagem: link


A medula espinal se inicia na parte alta do pescoço, lá atrás, na nuca, saindo do cérebro, percorre nossas costas e termina pouco acima do bumbum. Quando passamos a mão pelas costas de alguém e sentimos os ossinhos das vértebras (ou da coluna vertebral), lá dentro está a importante medula.

Fonte da imagem: link
Sabendo disso, agora você entende porque em um acidente em que há a possibilidade de a vítima ter quebrado algum ossinho pequeno da coluna vertebral, seja ele do pescoço ou de qualquer parte das costas, não devemos movimentá-la. Imagine que um ossinho de uma vértebra do pescoço quebrou, mas ainda está posicionado em seu lugar, mantendo a medula lá dentro, bonitinha. Se você mexer e o fragmento quebrado desse ossinho se movimentar, poderá romper alguns fios - senão todos - da medula. Isso irá interromper imediatamente a comunicação do cérebro com determinada parte do corpo e essa vítima perderá algumas funções, podendo ficar paraplégica ou mesmo tetraplégica, dependendo de onde foi essa ruptura.


O sistema nervoso periférico, como o nome diz, é a continuação dos nervos a partir da medula e até a periferia do corpo, chegando até o dedão do pé.

Fonte da imagem: link


Os nervos são chamados de motores quando transportam os comandos do cérebro para as extremidades (músculos, pele e glândulas, por exemplo).

Os nervos são chamados de sensitivos quando transportam os impulsos no sentido contrário, como o estímulo de dor ou de calor, por exemplo.

Como funcionam os nervos motores e os sensitivos
Fonte da imagem: Livro Ciências Nosso Corpo, de Fernando Gewandsnadjder, Ed. Ática


Além dessa divisão, o sistema nervoso periférico pode ser dividido em voluntário ou autônomo.


  • O sistema nervoso voluntário, vai comandar as nossas ações voluntárias, ou seja, o que a gente decide se vai ou não fazer, por exemplo: andar, mastigar, mexer os dedos, virar a cabeça... Tudo o que você conseguir comandar em seu próprio corpo, comanda através do sistema nervoso voluntário.
  • O sistema nervoso autônomo tem sua própria autonomia, o que significa que ele não depende da nossa vontade. Esse sistema emite os impulsos que comandam os órgãos internos, por exemplo, ele manda seu coração bater, os movimentos peristálticos do seu sistema digestório, sua pressão arterial, sua temperatura, etc. Ele ainda é dividido em simpático e parassimpático, que têm ações opostas (exemplo: o simpático aumenta os batimentos do coração enquanto o parassimpático os diminui).


Fonte: link

Para ilustrar melhor toda essa complicação, segue uma sugestão de vídeo:

O sistema nervoso - parte 1
O sistema nervoso - parte 2
O sistema nervoso - parte 3




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