segunda-feira, 27 de maio de 2013

Entenda a infecção hospitalar

É frequente que pessoas que não trabalham na área da saúde, ao ouvirem o tema infecção hospitalar, pensem logo em erro de profissionais, processos judiciais contra os hospitais e coisas do tipo. Acho importante que esse tema seja discutido para conscientizar as pessoas de seu real significado, suas causas, sua importância e, principalmente, como evitá-la.

Fonte da imagem: aqui


Uma infecção acontece quando nosso corpo é invadido por algum microorganismo estranho, como uma bactéria, um vírus, um fungo. Esse agente estranho ao nosso organismo poderá causar alguns estragos dependendo de onde ele preferir se acomodar e proliferar, como inflamações e alteração da função normal de alguns órgãos. Com frequência nosso sistema imunológico (de defesa) tem capacidade de lutar contra esses invasores e expulsá-los, mas às vezes precisamos da ajuda de fora, como por exemplo, medicamentos que sejam capazes de matá-los (os antibióticos).

Infecção hospitalar, por sua vez, é definida como uma infecção que foi adquirida após a admissão do paciente no hospital e pode manifestar-se tanto durante a internação como após a alta, sendo sempre relacionada com procedimentos de assistência à saúde.

Os microorganismos podem ser transmitidos de pessoa a pessoa pelas mãos, por gotículas de saliva que ficam esparsas no ar ou pela contaminação de materiais como sondas, cateteres, maçanetas, corrimões etc.

Então imagine: num ambiente hospitalar há alta concentração de indivíduos doentes, muitos portando infecções causadas pelos mais diversos microorganismos. Esses indivíduos estão em constante contato com outras pessoas: médicos os examinam, enfermeiros administram medicamentos, trocam sondas e ainda visitantes os cumprimentam, abraçam e beijam. Às vezes, quando podem dar uma voltinha pelos corredores, eventualmente cobrem um espirro repentino com a mesma mão que abrem uma porta ou seguram o corrimão da escada. Nesse mesmo hospital há inúmeros pacientes internados que apresentam seu sistema imunológico não funcionando a todo vapor, como idosos, crianças, pessoas diabéticas, com câncer, transplantados ou mesmo pessoas que estão tomando antibióticos por período suficiente para que esse medicamento destruísse a flora de microorganismos normal do corpo, deixando mais espaço para invasores.

Se conseguiu visualizar essa cena, não fica difícil entender o motivo das infecções hospitalares acontecerem. Note que essa cena não descreve um hospital sujo, com profissionais irresponsáveis ou pacientes com doenças esquisitas. Trata-se de um hospital comum.

Normalmente os médicos e enfermeiros são „imunes“ à essas infecções porque eles não estão ali com a saúde debilitada e seu sistema imunológico funciona bem. O mesmo ocorre com os visitantes. Mas não é o que acontece com os doentes internados, que são pessoas mais suscetíveis à infecções.

Também vale ressaltar que normalmente os microorganismos que „circulam“ pelos hospitais tendem a ser agentes mais resistentes ao tratamento, uma vez que são sobreviventes de tratamentos anteriores com um ou mais antibióticos.

Dessa forma, a melhor maneira de se prevenir a infecção hospitalar é evitando que um microorganismo saia de um indivíduo e atinja outro doente. Isso é conseguido com a esterilização de materiais cirúrgicos, sondas, catéteres e, mais simples, mas não menos importante: com a lavagem adequada e frequente das mãos.

Assim, qualquer pessoa, seja profissional de saúde ou visitante, que entrar em contato com alguém doente deve lavar bem as mãos com água e sabão antes e depois desse contato. O uso de álcool gel também é eficaz nesses casos.

Fonte da imagem: aqui


Pessoas que estiverem gripadas, resfriadas, com diarréia, infecções de pele ou mesmo crianças com doenças comuns da infância devem evitar visitar parentes ou amigos nos hospitais. Lembre-se que as pessoas que ali estão poderão reagir mal ao microorganismo que estamos carregando. Também não se recomenda que recém nascidos sejam muito manipulados ou beijados durante as visitas, mesmo por pessoas aparentemente saudáveis, pois o sistema de defesa deles ainda não está bem formado.



Este texto foi escrito por mim e publicado inicialmente no Indike.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Como o câncer funciona


Dia 08 de abril foi o dia mundial de combate ao câncer. Ao meu ver, a melhor forma de combatê-lo é com informação. Apesar de o câncer ser uma doença temida por todos, poucos sabem o que realmente ela significa, como ela prejudica o doente, quais são seus variados tipos e o que podemos fazer para preveni-los.

Câncer não é contagioso. A palavra câncer representa um grupo de mais de 100 doenças que podem acometer diferentes partes do nosso corpo. O que elas têm em comum para ganharem o nome de câncer é o crescimento desordenado de células malignas. Explico melhor: todos nós somos formados por um conjunto de células que se reúnem em grupos especializados nas mais diferentes funções, como por exemplo: formar a pele, o aparelho respiratório, o cérebro, o sangue etc. Essas células têm um ciclo de vida, ou seja, nascem e morrem e estão em constante renovação. Num organismo saudável há um equilíbrio entre a morte de células velhas e a formação de novas para a manutenção dos tecidos. No entanto, quando algo dá errado nesse balanço em um determinado local do corpo, ocorre o aumento do número de células neste tecido, formando um tumor.

Esquema ilustrando a divisão das celulas gerando uma celula defeituosa, cancerosa. Esta, por sua vez, gera outras celulas defeituosas e forma o tumor cancerígeno


Quando essas células mantêm a mesma especialização das células do tecido e multiplicam-se de forma lenta e regular formam os tumores benignos e não são necessariamente letais. Mas quando essas células apresentam defeitos no material genético e não conseguem especializar-se, tornam-se células estranhas ao organismo e apresentam comportamento totalmente desordenado. Elas se multiplicam mais rapidamente e de forma desordenada, comprimindo e, consequentemente prejudicando os tecidos à sua volta. São os tumores malignos ou cânceres. Notem que tumor não é sinônimo de câncer, pois há tumores benignos e não cancerosos.

Se as células malignas se originam nos pulmões, temos o câncer de pulmão. Se originam na pele, temos o câncer de pele. E assim vai. Alguns tipos de câncer podem ser mais agressivos que outros, seja pelo fato de o tumor crescer mais rapidamente, seja por crescer mais próximo de um órgão ou área vital, ou ainda pela capacidade de desprender algumas das células malignas na corrente sanguínea fazendo com que ela atinja qualquer outro lugar do corpo, criando novos tumores malignos em outros lugares, chamados de metástases. Há ainda alguns tipos de cânceres que não geram tumores, apenas prejudicam a função do tecido (como leucemias).

O câncer é grave e pode matar por comprometer a função de órgãos vitais. Imagine uma massa de células crescendo dentro do pulmão: ela certamente irá comprometer a respiração. Essa massa ainda poderá infiltrar-se nos órgãos próximos comprometendo, por exemplo, o coração e vasos sanguíneos importantes. Se esse tumor enviar metástases para o cérebro, por exemplo, irá comprometer funções neurológicas. Por ter um comportamento de certa forma imprevisível, cada caso de câncer se comportará de um jeito.

Há diversos fatores que contribuem para o surgimento de células anormais. Existem pré-disposições genéticas ligadas à capacidade do organismo de defender-se e regenerar-se, mas também existem inúmeros fatores oriundos do meio ambiente e de nossos hábitos de vida que prejudicam as células podendo propiciar o aparecimento do câncer. São esses fatores que precisamos conhecer para que façamos boa prevenção:

  • Fumar predispõe diversos tipos de câncer, dentre eles o câncer de pulmão. Pare de fumar!
  • Bebidas alcoólicas também predispõem o aparecimento de cânceres de boca, esôfago e fígado. Se beber, limite-se apenas a 1 dose (se mulher) ou 2 doses (se homem) por dia.
  • Alimentos embutidos e processados (como salsichas) são ricos em substâncias que favorecem o aparecimento de câncer de estômago. Além disso, alimentos gordurosos parecem propiciar as células cancerosas. O melhor a fazer é manter uma alimentação saudável e equilibrada, com alimentos frescos e variados.
  • A exposição ao sol propicia o aparecimento de câncer de pele. É importante saber que o efeito do sol é cumulativo, ou seja, não adianta abusar do bronzeamento na juventude e passar a cuidar-se com idade mais avançada. O câncer de pele é resultado do sol que tomamos desde a infância. Evite exposição prolongada ao sol e use sempre proteção como chapéu e protetor solar.
  • Mulheres em idade sexual devem realizar o exame de Papanicolau periodicamente. Ele serve para prevenir o câncer de colo de útero. A infecção pelo vírus HPV, sexualmente transmissível, é um fator de risco para esse câncer. As mulheres acima de 40 anos também devem realizar o exame clínico das mamas anualmente para a detecção precoce do câncer de mama.
  • Homens acima dos 50 anos devem procurar o urologista para avaliação da próstata.
  • Não esquecer de fazer a higiene oral diariamente e consultar também o dentista regularmente.
Este texto foi mais uma das minhas colunas publicadas no Indike.

Se quiser tirar mais duvidas, deixe um comentario abaixo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Esclarecimentos sobre câncer de mama e mamografia


Mamografia é um exame que utiliza raios X para detectar algumas anormalidades das mamas. Dessas anormalidades, a mais importante detectada por este exame é o câncer de mama. A mamografia consegue detectar esse tipo de câncer ainda em estágios muito iniciais, quando o tumor ainda está menor que 2 cm de diâmetro. A detecção precoce proporcionada pela mamografia é fundamental para que a descoberta dessa terrível doença tenha um final feliz. Isso porque 90% (quase todos!) dos tumores descobertos em fase inicial conseguem ser tratados e curados.

Imagem de mamografia evidenciando lesão sugestiva de câncer de mama. Fonte: wikicommons


Apesar disso, em nosso país ainda o câncer de mama é muito frequente e nem sempre tem final feliz. Não porque os exames feitos aqui não são de qualidade, ou porque o tratamento não é de ponta. Nada disso. Tudo indica que esses índices aparecem no Brasil porque muitas mulheres que deveriam fazer esse exame como precaução ou rastreamento acabam não fazendo. Como consequência, muitos dos cânceres de mama diagnosticados no país já encontram-se em estágio avançado, o que dificulta ou até impossibilita a cura. Por isso acho importante esclarecer alguns pontos que podem ser vistos como obstáculos entre essas mulheres e a mamografia.

A mamografia é um exame desconfortável, no entanto, esse desconforto é plenamente suportável e é preciso apenas poucos segundos para que as imagens necessárias sejam feitas.

Um estudo mostrou que algumas mulheres escolhem não fazer o exame por medo de descobrir o câncer. Bem, que elas estejam lendo essa coluna e possam entender que o fato de não saber que o câncer existe não o fará desaparecer. E pior, se ele não for detectado o quanto antes, ele tenderá a aumentar de tamanho e, quando se manifestar, poderá ser tarde para a cura. É preciso ficar claro que nesse caso o exame não é um exagero e, se feito com regularidade, mesmo que um câncer apareça, ele terá chances altíssimas de ser curado com o tratamento. Essa mulher poderá ter vida normal.

O exame de ultrassonografia das mamas não substitui a mamografia. Em alguns casos ele pode ser solicitado pelo médico como exame complementar, para auxiliar o diagnóstico.

No caso de mulheres que têm próteses de silicone nas mamas, não há o que temer. O exame não danifica a prótese. Além disso, é falso o mito que diz que as próteses aumentam o risco para câncer de mama. O que pode acontecer é elas dificultarem a visualização de algumas áreas da mama pelo exame mamográfico. Nesses casos, pode ser que sejam necessárias imagens extras. Alguns médicos podem até solicitar outros exames complementares, como a ressonância magnética, mas isso é avaliado caso a caso e não é uma regra.

E quem deve fazer o exame e quando?

Bem, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que a mamografia seja realizada anualmente para as mulheres entre 40 e 69 anos. Não há ainda, entre os médicos, consenso sobre a obrigatoriedade anual desse exame para as mulheres entre 40 e 49 anos. Alguns defendem que nessa faixa etária a solicitação deverá ser a critério médico.

O fato é: a partir dos 40 anos a mulher deve estar atenta para a possibilidade de aparecimento dessa doença e deve frequentar o consultório do ginecologista ou mastologista anualmente e seguir suas recomendações após o exame clínico das mamas.

As mulheres que têm história na família de câncer de mama devem preocupar-se mais precocemente, avisando seu ginecologista ou mastologista sobre sua história familiar para que eles possam solicitar os exames de prevenção e rastreamento precoce.

No dia do exame mamográfico a mulher não deve usar desodorante, talco ou qualquer cosmético na região das mamas e axilas. Alguns cosméticos contém componentes metálicos que podem aparecer no exame como microcalcificações, o que pode deixar o exame confuso.

É sempre bom guardar todos os exames dos últimos anos para que o médico possa comparar os resultados, mesmo que todos estejam normais.

Homens, apesar de bem menos frequente, também podem ter câncer de mama. Mas no caso deles a mamografia é solicitada somente na suspeita médica e não de rotina. Para os homens, uma dica importante é o exame anual para detectar câncer de próstata.

Este texto foi mais uma das minhas publicações no Dicas do Indike.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Hanseníase ainda existe, mas tem tratamento e cura.

Muito já ouvimos falar sobre a lepra. Especialmente sobre o estigma dos leprosos em nossa história antiga, em como essas pessoas eram terrivelmente afastadas da sociedade por ignorância da época. Mas sei que muita gente imagina que já nos livramos dessa doença, que não devemos mais nos preocupar com ela. Engano. Saibam que hoje em dia o Brasil é campeão mundial em prevalência dessa doença e, por isso, precisamos nos informar um pouco sobre ela.

Hoje ela se chama hanseníase. Lepra, que significa manchas na pele, era um nome dado antigamente à algumas doenças de pele e, por conta dos avanços da ciência e descoberta das diferentes causas, o nome caiu em desuso.

A hanseníase é uma doença causada por uma bactéria que gosta das áreas mais frias do corpo. Por isso, ela atinge principalmente a pele e nervos de regiões mais periféricas do corpo como mãos, pés, olhos, orelhas, nariz, braços e pernas. Mas pode eventualmente afetar outros órgãos.

É uma doença contagiosa, ou seja, passa de pessoa para pessoa. A transmissão acontece de uma pessoa contaminada para outra através do ar, de gotículas de saliva, parecido com a gripe. Mas essa bactéria não é tão poderosa e o contágio não é tão fácil. Para uma pessoa ser contaminada é preciso haver um contato mais íntimo (tipo morar na mesma casa) e prolongado, piorando se houver pouca ventilação. Ainda assim, nem todas as pessoas que se contaminam desenvolvem a doença, pois, uma vez que a bactéria entra no corpo, ela trava uma batalha com o sistema imunológico. Se nossas defesas ganham, não ficamos doentes. Se a bactéria ganha, adoecemos.

Esse período entre o contágio e os sintomas pode durar de meses até cinco anos. É uma longa batalha. As pessoas mais suscetíveis à desenvolver a doença são, obviamente, as pessoas com menor resistência imunológica. Por conta disso a hanseníase é mais comum em pessoas de classe social mais baixa, por conta de más condições nutricionais e sociais. Mas é importante deixar claro que essa doença pode acometer qualquer pessoa independente de classe social, desde que a pessoa seja suscetível à bactéria.

E como suspeitar da hanseníase? Normalmente os primeiros sintomas são manchas de cor parda, esbranquiçadas ou avermelhadas, às vezes pouco visíveis. Podem parecer micose de praia, mas, como a hanseníase compromete os nervos, no local dessas manchas pode haver a sensação de formigamento, podem ficar dormentes, sem sensibilidade à dor, ao calor, ao frio e ao toque. Não há coceira, mas alteração da sensibilidade. Por isso muitos pensam que a antiga lepra faz com que as extremidades se deformem ou “caiam”. O que acontece na verdade é: como as lesões diminuem a sensibilidade, a pessoa pode se machucar sem perceber e, por isso, sofrer ferimentos graves.

Também no local das manchas pode-se perder os pelos e diminuir a transpiração, tudo por causa da alteração nervosa. Em formas mais graves da doença pode haver deformidade dos membros por retração muscular ou formação de nódulos sob a pele.

A boa notícia é que a hanseníase tem tratamento e cura. Se suspeitar de alguma lesão de pele com alteração ao toque, procure um médico. Pode ser um clínico ou dermatologista. O diagnóstico não é difícil e o tratamento é feito com antibióticos e pode durar de seis meses à um ano. O SUS oferece diagnóstico e tratamento gratuito para todos.

Logo após o início do tratamento a pessoa já deixa de transmitir a doença. Ela não precisa ser internada pois o tratamento é ambulatorial. Ela pode manter vida normal, não precisa afastar-se do trabalho nem do convívio familiar. Pode continuar mantendo relações sexuais com seu parceiro. A gravidez e o aleitamento não impedem o tratamento, que é seguro para mãe e bebê.

Toda pessoa que tem contato próximo com doente de hanseníase deve também ser examinada por um médico e pode ser orientada a receber a vacina BCG para aumentar a sua proteção contra a doença.

Esse foi mais um texto da minha coluna do Indike.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Saiba quando o álcool pode ser ruim para você.

Texto meu inicialmente publicado no Indike.

O álcool está sempre na moda. Às vezes como vilão, outras como mocinho. Isso até nos confunde. Mas o fato é que, na dúvida, ele está sempre em nossas mesas.

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Seu consumo é permitido e até mesmo incentivado pela sociedade. Por esse motivo, mesmo quem não bebe convive com ele através de um familiar ou conhecido.

Cada um tem uma relação velada com ele. Para alguns ele é um destruidor de lares. Para outros, apenas um facilitador de relações sociais. Às vezes, uma fuga, outras, prazer. Pode ser um carinhoso ombro amigo nos dias difíceis. Ou paixão destruidora. Secretamente ninguém sabe exatamente como nos relacionamos com ele. Mas sempre demonstramos que nossa relação é inocente e com a melhor das intenções.

Mas você consegue saber ao certo qual a relação que você e o álcool estabeleceram? Será que bebo muito ou é só implicância dos demais? Quanto de álcool tenho que beber para que seja realmente prejudicial? Vamos tentar trazer essas informações para a vida prática da pessoa comum: nós.

O álcool é uma droga que age no sistema nervoso e produz alterações de comportamento, humor e cognição. Por isso, devemos estar atentos à dose que nosso corpo consegue metabolizar sem trazer efeitos ruins. Essa dose varia conforme características pessoais (sexo, peso etc), portanto, não é fixa.

No geral para os homens esse limite é de 2 taças de vinho (90 mL cada) ou 1 lata de cerveja ou 1 dose de 50mL de destilados. Por dia! Para as mulheres o limite é menor.

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Quem bebe mais do que isso tem funções neurológicas alteradas que trazem problemas à saúde e à sociedade, pois perde o domínio sobre seu comportamento, mesmo achando que não. Isso predispõe malefícios a curto prazo como acidentes de trânsito, baixo desempenho sexual e intelectual, atos de vandalismo. É chamado uso nocivo do álcool. Se continuado pode levar a tolerância e dependência.

A tolerância está instalada quando é preciso uma dose maior de álcool para causar um mesmo efeito (quando ele demora mais pra ficar bêbado, digamos assim). Já a dependência acontece quando a pessoa começa a sentir falta da bebida, quando está sem tomá-la há alguns dias.

A OMS diz que, para se avaliar o real impacto do álcool, não basta medir o quanto as pessoas bebem, mas sim saber qual seu padrão de consumo. Isso implica considerar o quanto se bebe por ocasião, se bebe-se mais em eventos festivos ou no dia-a-dia, em quantos eventos com bebidas o cidadão fica bêbado, se o álcool só acompanha refeições ou se bebe-se mais em espaços públicos.

O padrão de consumo de álcool no Brasil mostra que os jovens são pouco abstinentes e costumam beber ocasionalmente, tornando-se bebedores semanais em poucos anos. Como os jovens são estimulados a beber semanalmente para socialização em festas e com descontrole de quantidade, eles sofrem os efeitos do uso nocivo, sendo mais sujeitos a brigas, acidentes, constrangimentos e ressaca.

Com o aumento da idade, a quantidade de bebedores ocasionais diminui, e aumenta o número de abstêmios e dos bebedores muito frequentes. Ou seja, uma parcela para de beber, possivelmente por ter mais segurança para as relações interpessoais e até para evitar os chatos efeitos do uso nocivo. Mas outra parcela passa a beber todos os dias. Essas são aquelas pessoas que cultivaram o hábito de beber todos os dias (ou quase), primeiro em eventos, depois por prazer, que dificilmente se limitam a tomar 2 cálices de vinho ou 1 latinha de cerveja ao dia e que, por isso, vão silenciosamente desenvolvendo tolerância e dependência.

É comum esse bebedor negar sua condição de risco e encontrar desculpas para justificar cada dose. Alguns até pensam ser essa forma de consumo "mais saudável" pois normalmente bebe-se em casa e os porres não são frequentes como nos adolescentes. É certo que são padrões diferentes de consumo, com riscos a curto prazo também diferentes, mas o prejuízo é certo - e nada saudável.

Para derrubar esse mito, explico: o álcool é metabolizado pelo fígado, que tem capacidade limitada (lembre da dose que mencionei no início). A substância intermediária formada durante esse processo é o acetaldeído, que é muito mais tóxica para o fígado e para o organismo do que o próprio álcool. Assim, quando o uso do álcool é diário e acima da quantidade que o fígado consegue eliminar, o acetaldeído se acumula lesando fígado e outros órgãos. Quem bebe todos os dias não dá tempo para o fígado se regenerar, mesmo que não fique bêbado.

Esse bebedor frequente costuma passar despercebido, pois dificilmente fica bêbado. Mas ele merece atenção não só pelos problemas de saúde que ele certamente irá desenvolver (podendo ser hipertensão, cirrose, câncer, problemas cardiovasculares, neuropatias, entre outros) e onerar nosso sistema de saúde, mas também pelos infortúnios que pode trazer à quem convive.

Como reconhecer um bebedor muito frequente e diferenciá-lo de um bebedor ocasional?

Um bebedor ocasional sabe limitar as situações em que bebe. Bebe num jantar, mas passa vários outros sem precisar da bebida. Sabe se divertir em situações de abstinência.

O bebedor muito frequente já começa a restringir seu prazer ao beber. Essa pessoa vai tornando-se menos interessante aos que convivem com ela. Começa a pensar em beber nas mais variadas ocasiões. Não consegue imaginar um momento de divertimento sem que o álcool esteja presente.

O álcool prejudica a memória, o raciocínio, o sono e o humor. Diminui a libido, prejudicando a vida sexual. A pessoa vai se transformando em outra e, apesar dos sinais dos familiares, não se dá conta.

Veja que há diversos padrões de bebedores, cada um com suas implicações. Em qual você se encaixa? Para qual caminho você está indo? Saiba que todos vão apresentar problemas de saúde e problemas sociais se não restringirem seu consumo à um padrão fisiologicamente e socialmente adequado.

Repense seu padrão de consumo se já se viu em uma dessas situações:
  • já perdeu o controle de si mesmo por conta do álcool 
  • já sentiu que deveria diminuir a bebida 
  • as pessoas já o irritaram quando criticaram sua bebida 
  • já se sentiu mal ou culpado por conta da bebida 
  • já bebeu pela manhã para “aquecer” ou para se livrar de uma ressaca
Assista o vídeo aqui.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Entenda a audição e aprenda a conservá-la

Texto meu, inicialmente publicado no Indike.

Nossos 5 sentidos (audição, visão, tato, paladar e olfato) são de extrema importância, pois têm a função de nos conectar com o mundo externo. Se um deles não funciona bem, o contato com pessoas e coisas fica muito dificultado.

Surdez é a deficiência do sentido da audição, aquele que nos conecta com o mundo através dos sons.

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Um indivíduo pode nascer com essa deficiência, o que atrapalha no aprendizado da linguagem, pois ele não pode reproduzir sons que ele não ouve. Mas ele pode também perder parte ou toda a audição durante a vida, por isso as orientações de prevenção são importantes.

O que vai determinar o quanto a conexão com o mundo vai ficar dificultada é o quanto o indivíduo ouve. Ao contrário do que muitos pensam, a surdez não é mensurada por porcentagens, mas sim por decibéis, a unidade que mede a intensidade dos sons. Quanto mais decibéis, mais alto é um ruído. Por exemplo: um caminhão daqueles bem barulhentos emite sons de mais de 100 decibéis (dB), um latido de cachorro fica por volta de 70dB e o quase silencioso balançar das folhas de uma árvore, em torno de 10dB. Assim, se uma pessoa tem uma perda auditiva leve (25 a 40dB), ela não conseguirá ouvir o som das folhas ao vento, de uma torneira pingando ou um cochicho e poderá ser difícil reconhecer o som de algumas consoantes (como V, F, Z e S), mas ela será capaz de ouvir o telefone tocar e um carro se aproximar.

A surdez começa a atrapalhar mais a rotina quando a pessoa passa a não perceber o som da fala humana normal, que fica em torno de 60dB. Uma pessoa com perda auditiva moderada normalmente só consegue participar de uma conversa quando o outro grita. A comunicação fica muito limitada.Ainda há casos mais graves, chamados de perda auditiva severa (só se escutam sons altíssimos) e profunda (não se ouve nada).

Para ouvirmos bem um som, independente da sua intensidade, nossa orelha precisa captar a vibração do ar (o som nada mais é do que uma vibração) e conduzi-la ao cérebro, que irá interpretá-la como o som que reconhecemos, seja uma música, uma palavra ou um bebê chorando.

A nossa orelha tem esse formato externo para facilitar a captação dessas vibrações. O som então percorre um canal da orelha até o tímpano, uma membrana muito fina. Essa membrana vibra como um tambor e movimenta pequenos ossinhos que ampliam essa vibração e a encaminham à uma estrutura em caracol que contém cílios em suas paredes e líquido em seu interior. O líquido logicamente também vibrará e movimentará os cílios que estão ali imersos. Esses cílios contém células nervosas que interpretam esse movimento e o transformam em energia elétrica, que percorrerá os nervos auditivos até o cérebro. Assim, ouvimos.

Esquema do aparelho auditivo. Link desta imagem.


Problemas em qualquer parte desse percurso gera a surdez, leve ou severa. Assim, existem várias causas. Se o problema for no caminho percorrido até o caracol, chamamos de surdez de condução. Se o problema for na percepção do som a partir do caracol, chamamos de surdez neurossensorial.

A surdez de condução pode acontecer, por exemplo, quando há excesso de cera no canal auditivo formando um obstáculo à passagem do som. É importante saber que a cera é normal e nos protege , não devendo ser considerada uma sujeira que precisa ser eliminada desesperadamente com cotonete. Só devemos retirar a cera que sai da orelha, ficando visível. Se enfiamos um “cotonete” no conduto, além de empurrarmos a cera lá pra dentro, podendo formar uma rolha, podemos ainda machucar nosso tubo condutor, provocando uma inflamação que também prejudicará a audição.

As otites são inflamações que podem ocorrer nas diversas partes da orelha, provocando inchaço das estruturas ou acúmulo de pus, podendo diminuir a audição. Por isso elas precisam ser tratadas por um médico.

Essas células podem ser afetadas também por vírus, medicamentos, tumores, ou por exposição a níveis de ruídos excessivos durante a vida. Esses ruídos podem vir de uma vida desregrada, como ouvir música muito alta durante muitos anos, ou por motivos profissionais, quando um indivíduo trabalha sem proteção em um local com ruído intenso por muitas horas e muitos anos. Para prevenir, basta ouvir música em volume normal e usar os equipamentos de proteção oferecidos pela empresa.Mas a perda auditiva neurossensorial é a mais comum e acontece quando as células nervosas são afetadas ou morrem. Pode acontecer por conta do envelhecimento, a partir dos 50 anos, mas depende da genética, de otites e doenças anteriores e de barulhos durante a vida.

Grande parte das perdas auditivas tem cura ou tratamento para ajudar a restaurar parte da audição (como os aparelhos auditivos). Dessa forma, sempre que notar algo errado com a audição, procure um otorrinolaringologista logo no início. Ainda melhor: não cutuque a orelha, diminua o volume das músicas que você ouve todo dia e siga as orientações de proteção da empresa.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Obesidade e pressão arterial


Entenda como a obesidade pode levar a aumento da pressão arterial e problemas no coração:


Sabemos que para estarmos vivos o coração deve ter força suficiente para bombear o sangue até as nossas células mais distantes (mais detalhes aqui). Fica fácil imaginar que em uma pessoa obesa as células mais distantes estão muito mais longe do coração do que em uma pessoa não obesa.


Como os vasos sanguíneos vão se ramificando e se estreitando com a distância, quanto mais longe do coração, mais estreitos eles são. Isso gera uma maior resistência à passagem do sangue.


Vamos fazer uma analogia com uma mangueira de água: se apertamos a mangueira em algum ponto, a passagem de água se torna mais estreita e oferece maior resistência. Nossas artérias funcionam do mesmo jeito.


Além disso, algumas substâncias produzidas pelo excesso de gordura provocam quimicamente também uma maior resistência dos vasos. Esse aumento de resistência à passagem do sangue gera o aumento da pressão arterial, que nada mais é do que a pressão que o sangue exerce na parede das artérias (ele a empurra com mais força, digamos assim).

O coração, por sua vez, deverá ter força para vencer essa pressão maior. Com isso ele vai ficando mais musculoso ao longo dos anos. Ao contrário do que parece, isso não é bom, pois aumenta o risco de infarto, derrame e insuficiência cardíaca.

Em outra postagem poderemos falar mais detalhadamente sobre todos esses problemas.



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